Eu não sou todo mundo

Quem é que nunca teve problemas por “estar fora do padrão”?

Estar acima do peso, abaixo da altura, fora daquela faculdade ou não compartilhar do mesmo gosto e atitudes. Existem, na real, muitas outras características que determinam se estamos ou não dentro do que dizem ser o “normal”. Mas o que é que define o que é normal? A maioria das pessoas? Uma pesquisa com resultados elaborada por médicos? Uma média parametrizada de uma parte da população?

Vejamos um exemplo clássico de parametrização médica.

Uma pessoa que sempre teve seus índices de pressão arterial em níveis “mais baixos que o normal”, mas que nunca teve nenhum problema de saúde em decorrência disso. Um médico comum, acostumado aos padrões, faria o quê? Dá remédio pra essa pessoa, tem que subir a pressão para os níveis normais! Dá-lhe pílula disso e daquilo, até que os índices arteriais sobem e sobem mais do que o necessário; “Pára o remédio!”, e a pressão volta a baixar; “Volta o remédio!”, e a pressão torna a aumentar; “Pára o remédio!” e… vá pros quintos dos infernos! Antes tivesse acompanhado para entender qual é o normal daquela pessoa para depois dar um diagnóstico mais assertivo.

Quando eu queria fazer algo que todos os meus amigos faziam – e esse era justamente o meu argumento -, eu recebia de resposta o sonoro e conhecido “você não é todo mundo!”. Então eu aprendi que para mim as coisas seriam sempre muito específicas; quando cresci me dei conta de que seria assim não por ser comigo, mas porque seria assim (ou deveria ser) com todo mundo!

Entendi, assim, que o padrão é algo criado para discriminar, por mais que não pareça. É só pensar que tudo aquilo que estiver fora das características definidas por esse tal padrão será visto com grande diferença, muitas vezes até com preconceito – caso clássico: dizer que “não é normal” ser gay. Pensemos, então: se “ser heterossexual” não estivesse dentro dos padrões da tal normalidade, não seria necessário dizer que ele “ele é hetero” ou “ele é homo”, bastaria dizer ele é. O que ele é? O que quiser, oras! Afinal, a vida é da pessoa, ela escolhe o que der na telha para ser.

“Ser” é, portanto, um empoderamento que poucos têm, poucos conseguem exercer. E este é mais um exemplo de Jesus foi um homem de muitos ensinamentos (considerando, claro, a hipótese dele realmente ter existido): na época, apenas os faraós – e com muitas limitações – usavam a expressão “eu sou”; e diz a história que Jesus, quando interrogado sobre ser o filho de Deus, a resposta dele foi  simples simples e arrebatadora: “eu sou”. Jesus, segundo o livro, sabia o que era, estava empoderado de sua natureza e se fazia valer por ela.

Ou seja: minha mãe estava mesmo certa e isso serve para todo mundo; e quando alguém vier com cara feia me recriminando por qualquer coisa da qual eu não esteja dentro dos ridículos padrões, vou dizer em alto e bom som: eu não sou todo mundo.

 

Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

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