As voltas que o mundo deu, as voltas que o mundo dá

piao

É curioso como tudo pode se revirar, se desdobrar. Pessoas que você via todos os dias se tornam desconhecidas, pessoas que você não gosta de repente se mostram legais, pessoas que você não esperava te estendem a mão quando poderiam simplesmente desviar da pedra e seguir o caminho. É curioso também ver como a gente se desdobra, se redobra, se origamiza. Como conforme o tempo vai passando, a nossa cabeça (levando todo o resto) passeia por tantas situações, tantos lugares, alguns que a gente sequer imaginava. Abrem-se possibilidades, descortinam-se opções e, por mais clichê que soe, o mundo dá voltas. Às vezes voltas tão compridas, que por um tempo dá a impressão de que está tudo parado, ou que pra sempre continuará. Outras voltas tão rápidas e abruptas que é preciso segurar o chapéu pra que ele não saia voando com o vendaval. Algumas voltas são mansinhas, num outro compasso mais gostoso de acompanhar. Tem umas que viram pra longe, tem umas que voltam pro mesmo lugar. E nesses giros arrítmicos de percorrer do mundo muda-se os chãos e também os viajantes, e ah, como o esperado! Como as coisas vão se desenhando e se deformando de tão sutil maneira, que com um piscar – ou um marejar -de olhos, fica tudo, tudinho, em um outro lugar. Gostos mudam, jeitos mudam, companhias mudam, lealdades mudam, contratos mudam, eu mudei. Troquei até os móveis de lugar na casa, pra combinar com o novo andar da carruagem. Alguns reparos ainda precisam ser feitos pra seguir viagem, algumas bagagens, deixadas pra trás. Uma pitada de coragem na mistura é necessária pra olhar pros lugares feios de dentro, os monstros que vivem na gente (e caminham conosco algumas vezes, também em nossa volta) e escolher atirá-los pela janela, seguir sem com que eles te freiem demais. Pra mim ás vezes é dificílimo, acompanhar as voltas que o mundo deu, as voltas que o mundo dá. Me perco no giro. Me surpreendo com a próxima rodada. Conheço outros outros, e outros eus. As vezes dá um frio na barriga, de pensar o que se tem adiante. Ás vezes esqueço que não ando só, e tenho medo de aonde chegar. Mas não há como negar a beleza que há numa espiral constante, pra frente e avante, traçada no surpreender mais do que no esperar.

Sobre LaraPassos

Pequeno girassol. Negra, feminista, taurina até a raiz. Filha de Inkisis e graduanda em Antropologia com habilitação em Arqueologia na UFMG. Ver todos os artigos de LaraPassos

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