PENDURAR SAIU DE MODA

Querendo abordar algum assunto que tivesses relação com o momento atual, como sempre gosto de fazer, lembrei que hoje, 11 de agosto, é ou foi considerado o “Dia da Pindura ou da Pendura”, instituído que foi pelos estudantes do curso de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, em comemoração ao aniversário da criação dos primeiros cursos superiores de Direito no Brasil, em 1827.
A princípio, os próprios donos de restaurantes das imediações da Universidade convidavam os alunos para almoçarem de graça nessa data. Depois, o costume passou a ser praticado não só lá, mas ganhou uma irreverência e todos os alunos de direito se viam na mesma condição de comerem e beberem e saírem sem pagar, verbalizando a seguinte frase – “pendure a conta e, quando estiver formado, volto para pagar”. Não precisa dizer que acabou virando caso de polícia e muitos eram presos, depois de discursos inflamados com a boa retórica dos advogados.
A coisa pegou de tal forma que os comerciantes de qualquer estabelecimento que trabalhavam com comida e bebida passaram a fechar suas instalações nessa data, para evitar prejuízos e problemas. Por tudo isso, a moda foi se amainando e acredito que hoje mais nenhum estudante de direito se arvora a dar um calote desse gênero.
Ainda quando estudante de comunicação, lá pelos idos dos anos 60, lembro bem da euforia que era acompanhar essas manifestações dos colegas de direito, principalmente nas noites dessa data, onde imperava um certo descompromisso e a bebedeira era grande. Muitos donos de bares, que recebiam essa clientela todo o ano, faziam mesmo questão de oferecer rodadas de bebidas e tinham esses estudantes como amigos, mas nem toda a conta era pendurada.
Vejo essas tradições como saudáveis, lógico que olhando pelo lado dos costumes sociais. Eram tempos românticos e muitos excelentes juristas saíram desse rol de rapazes e moças.
Passados alguns anos, a brincadeira está fora do calendário e a data passou também a ser lembrada como o Dia do Advogado, a quem reverenciamos e de quem dependemos muito no trato da vida cotidiana.


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