O evangelho segundo o ex-fumante

cigarro

Não existe pesadelo pior para um fumante quando empunha um cigarro aceso do que ver no horizonte um ex-fumante se aproximar. Mal comparando, é como quando a fatia do pão cai com o lado do requeijão, ou da margarina para os menos saudáveis, para baixo.

O ex-fumante é igual mulher traída. Não dá descanso e capricha na campanha negativa. Ele acha que o melhor para ele é o melhor para todo mundo e que os fumantes precisam ser evangelizados. Que eles precisam de um guia; uma espécie de tutor para abandonar o vício. Ao fumante, se paciente, resta dançar conforme a música que o ex-fumante toca. Ele precisa reiterar ao pecador a sua virtude, a legitimando.

Não é uma dança sempre agradável. As vezes, aquele cigarro é o que te impede de socar alguém e chega um sujeito com blá, blá, blá.

A convivência entre fumantes e ex-fumantes é sempre ruidosa. Afinal, eles são divididos por uma questão moral. Aqueles que não fumam mais e aqueles que ainda fumam. Vontade, saudade, asco e desejo são pormenores. Nem todo fumante quer parar de fumar, por mais que tenha consciência do mal que o fumo provoca. Na visão do ex-fumante, o arbítrio é um veneno. Ele sente-se impelido a demovê-lo de todo fumante com quem cruzar.

E assim nos deparamos com essas pegadinhas da vida em que se prova que Deus tem , sim, senso de humor.

Sobre Reinaldo Glioche


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