As escolhas que nos são permitidas

Passei muitos anos da minha vida ouvindo que “nos foi dado o livre arbítrio”, mas isso é uma grande mentira. Não digo que é uma mentira religiosa, não, e nem quero entrar nesse mérito. Essa é uma mentira social.

Acontece que crescemos ouvindo que somos responsáveis pelas nossas escolhas e pelas consequências que elas geram, quando, na verdade, sequer temos escolha para certas situações. Muitas vezes somos impelidos a uma condição padrão, mas que apenas é padrão porque parte das pessoas a segue e essa e mais outra parte julga errado seguir qualquer outra coisa.

A própria questão da religião – e agora sim vou entrar nesse assunto; é como se todos nascêssemos católicos e fugíssemos à causa quando escolhemos budismo (ou qualquer outra), pior ainda quando decidimos não escolher nenhuma. “Como assim???” é o que nos perguntam os olhos invasivos e julgadores, como se estivéssemos destruindo com o bem, a moral e os bons costumes. Outro exemplo é a escolha de profissão: ai de quem não seguir os passos do pai ou da mãe por que sofrerá para sempre: será taxado de ovelha desgarrada, aquela que não saiu aos seus, que não se atentou aos ensinamentos dados com tanto amor e afinco.

Ué, eu penso que é muito simples a relação estabelecida para esses casos: minha vida, minhas escolhas.

Mas não, temos que dar satisfações por gostar de azul e não do amarelo, somos colocados em julgamento de crime hediondo, não podemos emitir nossas justificativas pois até elas serão usadas contra nós. Mas um fato é que situações como essas estão ficando cada vez menos frequentes, afinal o mundo está globalizado!

Mas e o que dizer da mulher que não quer casar?

Ou que não quer ter filhos?

Ou que não quer namorar homens?

Ou que não quer ser mulher??

O que pensam as pessoas que se acham no direito de dizer ao outro se a escolha feita é certa, errada, boa ou ruim? O que sabe essa pessoa, que saberes universais são esses que nos torna cópias em vez de indivíduos? O que garante a essa pessoa os “saberes certos”, quem garante o que é certo para quem? Quem define o que podemos ou não escolher?

Sobretudo, o que precisa ser entendido como imutável e lei geral é que cada qual merece ter seu espaço respeitado, seu direito à vida garantido. O que sair disso é, literalmente, problema meu (eu causo, logo, eu resolvo), não tem conversa.

Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

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