(A)corda

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Do alto do arranha-céu, a equilibrista estala seus pequenos dedinhos do pé. Ela dança no fio da navalha, entre perder tudo e ganhar alguma coisa, e vai fazendo faceira as experimentações caminhantes, meio sem rumo certo, meio com o destino traçado. Um passo, para. Um passo, para. Um passo, para. Muda de ideia, salta. Senta na corda bamba e olha la para baixo, pro abismo do medo. Cai ou pula? Se segura. Acorda com a corda que vão se entender. Já no meio do caminho, não sabe se vai ou se volta. Tem medo que se arrebente a linha, tem medo que ela continue inteira. Caminhando descalço, sentindo a planta do pé dolorida, cortada, queimada, as pernas cansadas, a mente a milhão. Quer curar os calos e fazer a dor passar, mas só há descanso depois da caminhada completa. Então se estica toda e faz algumas estripulias no fio, desequilibrada da vida, mas estável no movimentar. Tenta um salto arriscado, um movimento de braço, uma caminhadinha na ponta dos pés, uma pequena dança na corda esticada. Cada balanço é uma fisgada no coração, uma dose de adrenalina. Não sabe se ri ou se chora, não sabe se passa. E nas incertezas vai indo, que uma hora chega. Um passo, para. Um passo, para. Um passo, para. Continua.

Sobre LaraPassos

Pequeno girassol. Negra, feminista, taurina até a raiz. Filha de Inkisis e graduanda em Antropologia com habilitação em Arqueologia na UFMG. Ver todos os artigos de LaraPassos

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