Lidar com o fim (para mim)

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É um trabalho ainda em construção.

É tanta coisa que eu queria fazer, dizer, que me embaralho e fico nessa coisa meio estagnada dando leves toques no freio e ao mesmo tempo, no acelerador. Não sei pra quem escrevo, não sei o que exatamente dizer. Então, falarei pra mim (dentro de todo esse eucentrismo que tem rondado esses últimos textos, destes últimos tempos). Vou me dar um carinho, entre um soluço e outro, pra dizer “você ama muito, eu sei, mas se ama também”.  E aí se olha, se gosta, e para. Para de tentar carregar o mundo nas costas, para de se culpar pelas falhas dos outros, para de remoer pra sempre as suas. É preciso deixar ir. Aquilo que você queria, mas não vai dar pra ser, e aqueles que não querem ficar mais, que não sabem como lidar com você e toda a sua energia. Não se mata, nem se arranha, nem se rasga. Olha pra dentro e se acalenta, se segura, se nina. Deixa a dor vir, e entorpecer todos os outros sentidos. Pode chorar gritado, pode deitar no chão, pode chorar mais um pouco. Pode, porque não tem mais nada; agora é isso, e só. O mundo está ao contrário e você reparou. Só que depois, de talvez ter sido demais. Nem tarde nem cedo, só… Demais. Mas pega todo esse carinho, pega todo esse amor, esse esforço, essa garra, essa força, essa energia e não dá pro primeiro que passar, ou pro segundo, nem pro terceiro. Não joga em cima das pessoas que não aguentam segurar, não persegue na rua feito distribuidor de panfleto. Embrulha pra presente e dá pra você, criatura. Deixa pra trás essa pena de si mesma, essa amargura, essa sensação de mal-amada. Ame-se bem. E sei bem que quem vos fala (sendo eu mesma) ainda não aprendeu a fazer nada disso. Mas se escuta, escreve e lê, outra vez, repete feito um mantra. E aprende que o teu santo é forte, mas precisa de espaço pra te proteger por fora e por dentro. Fortalece teu chão, lava sua casa, inunda por dentro com firmeza pra fora. Sente a força daquelas que vieram antes de você, e que te seguram perseverantes, pra não cair. Joias são belas, mas dão trabalho pra moldar. É muito aquece-esfria-aquece, muita martelada, e ainda assim não há garantia de que vai sair como planejado. Mas, não se abulete tanto, e se enxergue, confie. Tua guia é de ouro menina, e teus caminhos também.

Sobre LaraPassos

Pequeno girassol. Negra, feminista, taurina até a raiz. Filha de Inkisis e graduanda em Antropologia com habilitação em Arqueologia na UFMG. Ver todos os artigos de LaraPassos

2 respostas para “Lidar com o fim (para mim)

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