HERANÇAS

Quanto mais maduros vamos ficando, não apodrecemos como uma fruta que cai do pé no seu sentido amplo de maturação. Pode parecer brincadeira, mas não é um prêmio de consolação chegar a entender melhor o que vamos sentindo ao longo do tempo e a mudança de valores que vai acontecendo. Lógico que o corpo vai se deformando, a rigidez vai dando lugar à flacidez, o frescor da juventude fica opaco, os cabelos embranquecem e os órgãos vão falhando surgindo problemas de saúde.
Tudo isso é uma verdade incontestável e, apesar de todos os cuidados que tenhamos com a nossa vida e hábitos saudáveis, os reparos acontecem, mas nunca mais seremos os mesmos. Ainda bem, pois a mente, por outro lado, vai também ganhando mais elasticidade, sabedoria e o que era tão importante antes deixa de sê-lo ou vice-versa.
Uma roupa nova, um sapato extraordinário de marca, uma bolsa, paixão de algumas mulheres, uma jóia ou um relógio no valor de dois salários mínimos ou mais, deixa de ser objeto de nosso desejo. E partimos para outras prioridades – uma viagem, mesmo que seja pelo Brasil, um programa musical, uma matinê de cinema, uma caminhada no fim da tarde com direito a um lindo por do sol e boas conversas com os amigos, aqueles que nos dizem respeito e com quem temos sempre a aprender. Sim, aprender sobre visões de mundo, estilo de vida, troca de informações, falar e ouvir sobre o que somos e nossas experiências. Sem cansar e se repetir, pois isso é outra chatice daqueles que não se tocam e querem sempre ser os protagonistas da roda das conversas. Isso sim é coisa de velho, de ultrapassado e maduro que falei lá acima, pronto a não prestar mais.
Nessa mudança de posturas e gostos, claro está que não mais nos interessamos por muito dinheiro, nem por bens e patrimônios, apenas o suficiente para a curtição gostosa de alguns programas de boas opções. As heranças que recebemos ou que amealhamos ao longo de anos de trabalho devem ser desfrutadas, mas sem ênfase para as mesmas. Agora é viver com simplicidade e as heranças que ficaram mesmo são as genéticas e as éticas, aquelas que foram passadas por nossos país e que deixam as suas marcas para o resto das nossas vidas.
Tentar passar isso para nossos filhos e netos, não com imposição, mas com gestos e jeitos de ser, seria uma forma de deixar uma grande riqueza para eles. O resto é pó.


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