Entre egoísmo e amor próprio

Dia desses, no trânsito, buscando evitar fechar o “corredor de motos” na Marginal, senti um leve medo de ralar toda a lateral do meu carro na mureta, ou mesmo de sofrer algum acidente por qualquer descuido que pudesse acontecer. Então me questionei sobre por que eu estava mais preocupada em não “atrapalhar” os motoqueiros em detrimento da minha sensação de segurança. “Egoísmo meu”, pensei de imediato, “só você pode se sentir segura? Entre você e uma moto, quem você acha que é mais frágil a 70km/h??”.

Ao mesmo tempo que esse pensamento se desenvolveu na minha cabeça, houve uma contra-resposta, rebatendo, com certa razão, que é o motoqueiro que precisa, em primeira instância, cuidar para que ele mesmo não sofra nenhum acidente, já que ele seria o maior prejudicado na história, oras… “Ele tem é que ter amor próprio!, amor pela vida dele, isso não é papel meu; eu tenho é que cuidar de mim!”, argumentei.

Tá, e por que é que eu não estava agindo assim desde o começo?, e pior: ainda me julguei errada, egoísta por achar que ter amor próprio é ruim, é prejudicar o outro! Cobrei dos motoqueiros uma postura que eu mesma não praticava, ao contrário: cobrei deles uma atitude que eu julguei, a princípio, bem errada.

Então depois, já não mais no trânsito, fiquei mastigando esse raciocínio, tentando entender a diferença entre egoísmo e amor próprio e o motivo da gente confundir um com o outro. Somos inconscientemente ensinados que não temos o direito à felicidade, que não merecemos o que é “do bom e do melhor”, que nos amar é egoísmo, pois quando decidimos fazer algo por que gostamos, recebemos críticas de todos os lados, olhares repressores e predestinações terríveis.

Tem um dito popular surgindo, bem contemporâneo, que diz que “Deus deu um cu para que cada um cuidasse do seu”. Ué, vou cuidar do meu, então… Por que se eu deixar para que os outros cuidem é bem capaz que eles me fodam em vez de guardar…

Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

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