Florescer

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Semana passada me vi prestes a parir um texto antes da sexta feira assim, quase que do nada. E fiquei matutando na minha casa, tentando tirar poesia de pedra, mas sem ter a destreza de Drummond. A ideia de chaves foi me percorrendo incessantemente: novos caminhos, novas aberturas, outros encaixes, segredos de respostas únicas. Cada chave só abre um lugar específico. Olhei minhas chaves,  sentada no chão da sala com um monte de coisa fora do lugar. Entre as mãos aquele amontoado de pequenas pecinhas metálicas, algumas com etiquetas (para socorrer minha memória), outras já conhecidas demais pra precisarem de rótulos, algumas que não faço nem ideia do que podem abrir. Separei as antigas, deixei as novas, pensei, decidida a fazer uma crônica do cotidiano seguindo a trilha mais curta: “Vou escrever sobre a metáfora”.

Mas se tem uma coisa que o destino sabe fazer bem são ironias, e minha gestação ganhou mais uma semana. E na sexta que eu pensei que iniciaria só um novo texto, me deu um milhão de outros inícios, outros caminhos que me fizeram ver que é preciso mesmo acontecer algo primeiro, pra se escrever depois. Não sei se foi a força do pensamento que apertou o botão da centrifugadora de destinos e deixou tudo absolutamente embaralhado, inesperadamente transmutado. Mudado. Mas sei que foi muita coincidência, e ainda desnorteada senti um acalento no coração, em meio aos desesperos.

Eu tenho medo de mudar, é quase uma fobia. Mas quando a mudança vem não dá pra correr dela, trancar a porta e ir pra debaixo da cama. Ela que tem a chave. Então eu sequei os olhos e a convidei pra entrar e tomar um chá, e tentei não fazer perguntas, por que não sei se quero saber as respostas, mas também porque sei que as respostas são múltiplas o tempo todo. Aí que eu entendi que aonde a gente vai, é onde a vida da gente nos leva. São as portas que escolhemos abrir ou fechar, os portões escancarados, as janelas trancadas e as emprerradas, as porteiras fáceis e difíceis de pular, o arame farpado, o cadeado, a corrente partida. E como um girassol, abri mais uma pétala, dizendo “Olá novo caminho, mais uma chave apareceu”.

Sobre LaraPassos

Pequeno girassol. Negra, feminista, taurina até a raiz. Filha de Inkisis e graduanda em Antropologia com habilitação em Arqueologia na UFMG. Ver todos os artigos de LaraPassos

2 respostas para “Florescer

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