LAVAGEM

(Um pouco de poesia como reflexão e parada desse mundo real e tão conturbado. Mas nada que não nos transporte a ele, em tempos também de lavagem e de mudanças).

Quando tudo parecia aberto,
Trancado estava.
Fendas sem sussurros,
Bocas sem lábios,
Pernas encadeadas.

Os vãos, em vão, gritavam por socorro
Da relva a escorrer o pranto.
Nada se ouvia ou nada parecia.
Na roupa vermelha
O sangue espumava pelas bordas.

Um astro a tudo via,
Imóvel e calado.
E dele veio a chuva – intensa e fria
A escorrer correndo no cascalho,
Que rolava sem destino.

Ela era a têmpera do pêndulo,
Não mais bateria na janela,
Como respingos doces e amenos.
A enxurrada a tudo carregou.

Levou bens, mas também o mal
E mesmo devastado, serenou.


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