FESTA DA PALAVRA

Chegar pela quinta vez na cidade, que vira o centro literário do país e refletindo vozes de outras nações, é como fazer um voo que começa pelo alto nas colinas, depois em rasante, como uma gaivota em volteios, até mergulhar a cabeça no Rio Perequê-açu, para tirar o alimento que está nas profundezas. De repente perceber que a energia que nutre as cabeças está por toda a parte – nas árvores com livros pendurados como pomos, nos atores que anonimamente apresentam sua arte em ruas e praças, nos autores que discorrem em mesas com temas previamente estabelecidos pela organização, nos músicos que tecem a linguagem nas composições, enquanto o grande público faz a cadência no percorrer das pedras da cidade.
Esse é sempre o impacto que se repete e não foi diferente na noite de ontem, durante a abertura da 14a. Edição da FLIP 2016 e que vem para colocar a palavra no lugar que lhe cabe como força da comunicação, trazendo e refletindo os pensamentos da atualidade, com ressonância do passado e apontando para o futuro.
A mesa de abertura, que teve o nome de “Em Tecnicolor”, teve o poeta Armando Freitas Filho e Walter Carvalho, falando de poesia e cinema, não como temas excludentes e diferentes, mas como entrelaçados, trazendo a visão sobre a obra da poeta Ana Cristina César, autora homenageada dessa FLIP, que viveu no mesmo período de Armando, hoje seu biógrafo e divulgador do seu trabalho.
Como fundo de pano do painel da tenda de autores uma frase – “As construções humanas desafiam os seus criadores e emitem as ondas”. O clima era de poesia, dando o tom de que esse ano se volta para um gênero literário nem sempre cultuado por adeptos da literatura. E falaram que é preciso ler o mundo ou escutá-lo, pelo menos, parar para ouvir poesia, ouvir a palavra do outro com singeleza ou com um novo sentido, diferente do habitual ou do corriqueiro.
Depois desse bate-papo poético, a apresentação de um filme sobre um pouco da vida e obra de Armando Freitas Filho, com direção de Walter Carvalho, sob o título “Manter a linha da Cordilheira sem o desmaio da Planície”, uma obra que corroborou a primeira noite com emoções e deixando claro que teremos nesses dias muito mais na trilha que habita essa cidade de Paraty com pedras, rios, pássaros, natureza e muita tradição cultural, nesse mesclar com a contemporaneidade.

… e o gênio apareceu!

Ele olhava fixamente para a garrafa. Ficou ali imerso em pensamentos diversos por alguns minutos até que um gênio saiu da garrafa. “Você tem três conselhos”, lhe avisou. “Você não quis dizer desejos?”, retrucou o homem ainda um tanto incrédulo. “Não. São três conselhos mesmo”, devolveu o gênio com ar de enfado. “Mas por quê?”, insistiu o homem. “Por que estamos no Brasil e aqui os gênios não realizam desejos, apenas aconselham como você pode realiza-los”.

O homem sorriu. O gênio sorriu e dividiram uma cerveja. Os conselhos seriam um desejo para mais tarde.

Quando não se deve respeitar uma opinião

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A máxima do ditado é que gosto não se discute, e alguns ainda acrescentem que a opinião também entra nessa.

Fato é que cada um dispõe de uma visão sobre as coisas, sobre situações; e pensando no que significa “ter opinião”, em termos técnicos, ao mesmo tempo que o dicionário diz que opinião é um modo de pensar – nato e pessoal -, ele também diz ser uma conclusão à qual se chega depois de muito refletir – ou seja, completamente diferente do que a maioria das pessoas estão acostumadas a fazer.

Outro dia, em uma conversa entre colegas, surgiu o assunto do caso do estupro dos 33 quando uma pessoa soltou um “bem-feito, quem mandou…”. A discussão cresceu e a tal pessoa acabou ficando um tanto quanto acuada pela chuva de críticas que recebeu para o comentário; tentando em vão se defender e finalizar o papo, disse: “ok, gente, cada um tem sua opinião…”

Mas esse novo comentário teve efeito contrário daquele desejado pelo colega, pois suscitou ainda mais indignação, ainda mais contrariedade. Todos que já haviam se manifestado em desacordo reforçaram suas declarações, agora questionando como é que se podia chamar “alusão ao estupro” de opinião.

É, eu também questionei, argumentei, critiquei… Afinal, isso não pode ser uma opinião; para falar a verdade, não pode ser uma opinião que se respeite nem mesmo que se aceite, por que funciona como uma porta de entrada para um novo estupro, para as justificativas vãs de futuros abusos: aos verdadeiros direitos, à segurança, à saúde, à integridade pessoal de quem foi ou ainda pode ser abusada, seja qual for o tipo de abuso.

Não se trata apenas de casos de estupro, mas de todos os casos de desrespeito, preconceito, subjugações de todas as naturezas: nenhum deles pode ser aceito, nenhuma dessas posturas pode ser engolida por que “é assim que fulano pensa, então deixa ele”. Não vou me calar às opressões, não vou apoiar indiretamente que o opressor permaneça com a força, eu vou falar! Vou brigar, discutir, questionar e berrar, se for preciso.

Por que opinião que oprime, não deve ser respeitada, deve ser recusada e transformada.

 

Disfemismo

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Jovens. Sorridentes. Sem maldades ou demônios. Rodopiam enquanto esperam um destino qualquer no ponto de ônibus. Ele belisca suas costelas. Ela puxa seu capuz. Unem seus rostos e cantam um som sem sentido que faz rir. O mau humor dos velhos, a pressa dos engravatados, nada parece atingir. Ele, anuviado em sentimentos, atento a cada piscadela dela, não quer ver o tempo passar. Não corre da chuva que chega, não pede mais nada da vida, só respirar o olhar. Um dia, soube de chofre, que ela foi passear em outros jardins. Saborear outro mel, conhecer sonhos mais soltos. Ele não compreendeu. Não aceitou, não arrefeceu. Noite alta, no quarto em silêncio, com travesseiro e olhos chorosos, aquela vida tirou. A moça fechou para sempre os cílios, calou para sempre os lábios e todos concordaram que foi amor. Tempos depois seu coração sombrio se acostumou com a tragédia e arrumou outro alguém. Ela virou estatística, a engrossar o caldo das meninas avoadas que não conseguem cuidar de si. O que ninguém percebeu é que a vida que ele ceifou não foi por querer, não foi por amar, nem foi por sofrer. Foi porque acreditou como muitos que assim podia ser. O homem outra vez vingou. Saiu outra vez ileso e vivo dessa trágica história de horror.

 

A PAZ QUE QUEREMOS

Ter paz é mais do que ter dinheiro, uma boa companhia, um bom emprego, saúde e tantos outros atributos para se sentir feliz. Bem verdade que, quando temos esses citados ou alguns deles se consiga obter um pouco de paz. Por outro lado, às vezes fazemos as escolhas por coisas materiais, estamos rodeados de bens e pessoas e com o coração amargurado, inquieto e cheio de dúvidas.
Parece que estou fazendo uma pregação, como se fosse uma representante legal de seitas ou igrejas e que tenha competência para tal colocação. É que acredito, porém, que saibamos a raiz de nossos problemas e fujamos por outras tangentes para não enfrentar as verdadeiras causas. É assim mesmo, maquiamos, enganamos, damos testemunhos diferentes dos reais, mas continuamos, no fundo de nosso ser, avaliando erros e acertos, mas sem criar os meios para ir direto ao ponto.
A paz, comemorada em 1 de janeiro, em nível mundial, e em 21 de setembro, como Dia Internacional, a data da última terça (21 de junho) foi considerada para os praticantes de ioga como uma ocasião propícia para, através da meditação, buscarmos o tão sonhado estado de espírito. Vimos pela televisão milhares de pessoas, tendo a Índia como referência maior, em silêncio coletivo, fazerem a prática em uníssono. As imagens saíram desse país, que é o símbolo da ioga, indo em direção a outras terras e povos, chegando até São Paulo, com um mar de gente em sintonia.
Nada como pegar uma carona nesses exemplos de buscas, tentarmos uma conexão com o universo e as forças da natureza, melhorando a sua pessoa e, a partir desse estágio, tentar atingir o outro, talvez mais como exemplos, do que com a própria fala.
O mundo precisa muito desses momentos de paz, mas o Brasil, sobremaneira, clama por medidas de amor – a si, ao próximo, aos animais, à natureza, à nação.
Enfim, meditemos, coletivamente, aumentando a energia para pontos positivos. Namastê!

A (boa) ditadura de “Game of Thrones”

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É um tanto difícil se deparar com alguém que não assista à série “Game of Thrones” atualmente. Grande febre da televisão no mundo, a série da HBO é um fenômeno que não encontra precedentes. Elevado a status sacro nas redes sociais e fomentador de debates inconclusivos sobre spoilers e afins, o show merece destaque, ainda, por conseguir a proeza de estimular o espectador a assisti-lo no momento de sua exibição.

Pode parecer algo trivial, mas em meio à revolução do on demand, capitaneada pelo Netflix, é algo vistoso e que deve ser comemorado. A maneira das pessoas assistirem séries está mudando. Mesmo séries cultuadas como “House of Cards”, “The Walking Dead” e “The Big Bang Theory” não suscitam o frisson provocado por “Game of Thrones”.

Todas essas séries são hypadas e, excetuando a primeira, exibidas semanalmente (“House of Cards tem sua temporada disponibilizada inteiramente de uma vez pelo Netflix). A qualidade narrativa, do esmero do roteiro ao brilhantismo dos diálogos, ajuda a entender a razão de tanto confete, mas o que pode ser decisivo mesmo para toda essa atmosfera é o fato de “Game of Thrones” visivelmente estar chegando a algum lugar. Conforme a série intensifica seus preparativos para o clímax, vê subir a temperatura de sua adoração. Algo semelhante, ainda que em proporções bem mais modestas, aconteceu com “Breaking Bad”. Outra série que, como a produção da HBO, primava por qualidade e economia narrativas, e tinha um norte bem claro. A todo o tempo.

A ditadura de “Game of Thrones”, que vivemos hoje, portanto, diz respeito ao fato de ser a única série que falamos a respeito simplesmente por ser a única que realmente está lá. O prazer de repercutir a série semana após semana é algo muito valorizado pela produção e que ajuda a perdurar seu status quo. É uma arte perdida. Depois de “Game of Thrones”, provavelmente não teremos tão cedo, em tamanha escala, uma série capaz de resgatar o prazer de se saboreá-la ao assistir.

Finanças

finanças

– Escutou isso aqui João?
(Silêncio).
– 77 milhões. E hoje não arruma nem uma mulher para dar uma banho nele, doente e sozinho do jeito que vive…
(Desinteresse).
– Vê se pode, 77 milhões…
– Dinheiro não é de Deus não, José.
– Que que foi João?
– Dinheiro. É coisa de Satanás.
– Que coisa de Satanás o quê. O homem que é um descontrolado. Coisa de Satanás é ser pobre, ficar rico e ficar pobre de novo!
– Né coisa de Deus não. Jogo. Imagina quanto dinheiro de pão pai deixou ali… filho com fome…
– Deixa de ser besta homem. Não é cassino, nada disso não sô. Jogo é jogo horas!
– Eu ganhei muito no bicho. E agora tô aqui. E tô feliz. É de Satanás. Dinheiro de suor é que é de Deus.
– De Satanás né? Mas pega 77 milhões e leva lá pro seu pastor pra ver se ele não aceita…
– Mas aí tá abençoado. É diferente.

No banco da praça, Satanás maltrapilho pedia esmolas. Seu chapéu furado e vazio poucas vezes era notado pelos passantes que entravam na igreja. No Banco do lado, Deus contabilizava os lucros e repassava mais aos mais ricos. Enquanto os querubins, donos de pequenos botecos, tentavam equilibrar impostos e sonegação para não quebrar.

TEMPO DE ESQUENTAR

Para cada época do ano há um convite e um tipo de desejo a ser conquistado. E as temperaturas e o clima dão o comando do que podemos fazer. Tempo de nos abrigar das intempéries e do frio, mas nem por isso deixar de praticar algumas atividades que nos dão prazer. Deixar de sair de casa, jamais, sem aceitar as desculpas para ficar debaixo das cobertas ou acomodada em tarefas domésticas. Lógico que as leituras são excelentes opções, acompanhadas de um café e de uma poltrona à luz de um abajur.
Mas para os temperamentos inquietos, como o meu, não me prendo somente ao teto de casa, nem com um filme no Netflix ou outro meio eletrônico qualquer. Há a necessidade de estar com pessoas, de ir ao cinema ver a um filme em tela ampla, de trocar impressões sobre o que se está lendo ou acontecendo, de almoçar ou tomar uma sopa bem quente no começo da noite, em lugar aconchegante.
Sem falar que com o inverno à porta, as quermesses e festas juninas já se apresentam, para degustar o vinho quente e o quentão. E, nessa volta temporária das estações e suas características, fazemos o percurso do passado, revivendo outras festas, até quando éramos crianças ou quando crianças eram os nossos filhos, agora rememorando, mais uma vez, com os netos.
Esse ciclo vital é que nos faz vivos e prontos para enfrentar baixas temperaturas, imaginando pular uma fogueira, comer um pinhão, batata doce tirada do fogo ardente. A música caipira soando e nossos pés não descansando – o ritmo nos leva para o centro da roda e caipiras somos, porque somos brasileiros de tantas tradições e encantamentos regionais.
Festa de Santo Antônio, São João, São Pedro. Que esses santos nos protejam e nos conservem com a pureza dessas manifestações, sob a luz do luar e dos balões e bandeirinhas coloridos a tremular nas cordas da nossa imaginação. Logo não sentiremos mais frio e todo o corpo ficará aquecido, começando pelo rubor das faces.

Com ou sem foro?

Justiça

Parece ter chegado aquele momento em que precisamos responder a pergunta: queremos ser o país do foro privilegiado ou não?

Em meio a todos os escândalos políticos que mobilizam a opinião pública, essa pergunta surge soterrada em muita desinformação e sensacionalismo. O foro privilegiado, instituto com previsão institucional, objetiva resguardar o cargo, não seu ocupante. É o mandato da autoridade que precipita o foro, não a autoridade. Na série de perversões que nossa cena política apresenta, o foro legitimou-se como uma trincheira para os ditos criminosos do colarinho branco.

Não seria democraticamente maduro, ou institucionalmente prudente, simplesmente extinguir a prerrogativa de foro. Mas é preciso iluminar o debate. Trazê-lo subordinado a interesses eleitorais é incidir em desonestidade intelectual. Um terço da Câmara dos deputados é alvo de inquérito e o STF se vê atolado em ações penais e sublimado de suas atribuições jurisdicionais (doutrinar o exercício do direito no Brasil).

Há de se ponderar, ainda, que a prerrogativa de foro, como está estabelecida, mais do que estimular a impunidade, abastece os meandros da corrupção, como atestam os avanços da operação Lava Jato. Há se pensar que, em essência, a constituição pretendendo a igualdade, criou uma distorção expressa ao criar uma massa aristocrática de cerca de 22 mil brasileiros (estimativa de pessoas com algum tipo de foro privilegiado).

Reformar o instituto do foro privilegiado, por tudo precedentemente exposto, é imperioso para que o Brasil possa sair dessa profunda crise moral e ética fortalecido enquanto sociedade e democracia. Não nos enganemos! A solução passa por esse doloroso debate. Coragem, afinal, não é sair às ruas pedindo a saída de fulano ou sicrano, mas abarcar o debate de país que queremos ser nos ângulos que tanto fulano quanto sicrano querem que ignoremos.

A Bordo

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Crédito da imagem: http://favim.com/image/2276394/

Um dia, calada e sonhadora como sempre se deixava ficar, ouvi sua risada,  de boca fechada. Em silêncio, ela sussurrava. Eu mais sentia que escutava. Parecia haver no espaço pouco que ocupávamos uma imensidão sem limites onde sua mão nos dedos meus era elástica, fazendo o coração ir no outro mundo e voltar. Suspenso em tais absurdos lúcidos ouvi por fim ela me chamar. “Meu infinito aumenta com você”. Sorrimos pelo rosto e pelos poros. Ela expandia meu tudo. Todo dia.

LAVAGEM

(Um pouco de poesia como reflexão e parada desse mundo real e tão conturbado. Mas nada que não nos transporte a ele, em tempos também de lavagem e de mudanças).

Quando tudo parecia aberto,
Trancado estava.
Fendas sem sussurros,
Bocas sem lábios,
Pernas encadeadas.

Os vãos, em vão, gritavam por socorro
Da relva a escorrer o pranto.
Nada se ouvia ou nada parecia.
Na roupa vermelha
O sangue espumava pelas bordas.

Um astro a tudo via,
Imóvel e calado.
E dele veio a chuva – intensa e fria
A escorrer correndo no cascalho,
Que rolava sem destino.

Ela era a têmpera do pêndulo,
Não mais bateria na janela,
Como respingos doces e amenos.
A enxurrada a tudo carregou.

Levou bens, mas também o mal
E mesmo devastado, serenou.

O femismo à espreita

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Quem me conhece, e não me circunscrevo à figura de expressão, sabe que sou feminista. Advogo o feminismo desde antes de ser capaz de elaborar e decodificar seu conceito. Criado por uma mulher e no convívio feminino, me orgulho do fato de possuir valores mais humanizados e sintonizados a um anseio legítimo e perene (nota ao leitor: procure aqui no Vida a Sete Chaves minhas “Crônicas da Vagina”).

No entanto, o feminismo como agenda e causa evoluiu de maneira esquizofrênica e hoje abarca radicalismos que comprometem essencialmente o debate propositivo que surgiu na gênese do movimento.

É claro que não farei justiça à natureza complexa e multifacetada do tema em uma crônica ligeira, mas a preocupação, costumeiramente latente, vem ganhando fôlego. À espreita está o femismo. Em uma conceituação vulgar, femismo poderia ser identificado como um machismo às avessas. Uma concepção de superioridade da mulher em relação ao homem. O grande prejuízo desse radicalismo derivado de um feminismo fálico, que “enfia um pau duro na boca de quem discorde”, como cunhou maravilhosamente bem em um artigo Tati Bernardi é a justaposição de elementos culturais nocivos ao bem estar social.

O femismo, ao contrário do feminismo, é um fenômeno isolacionista, que propaga intolerância e dissemina a cultura do ódio. Mais: arrisca todas as conquistas feministas ao reclamar o direito de trocar o sexo do machismo.

Joga pedra na Geni!

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Eu sou de escorpião e, para algumas pessoas, isso já diria muito sobre mim: que sou rancorosa, vingativa, gentinha difícil de lidar. Se descobrirem, então,  que meu ascendente é leão, aí é que toda e qualquer possibilidade de ser perdoada que eu poderia vir ter, cai por terra! É como se eu fosse a fazer da pena de morte para assassino, fã do “aqui se faz, aqui se paga”, a justiceira do oeste. Então joga pedra na vingativa da Geni!!

Que nada, devo estar mais para libra, que pensa, que calcula, que avalia as chances de dar certo, de dar errado e já se adianta com as consequências, por que quer amenizar problemas futuros. Estou sempre vendo os dois lados da situação, o que seria culpa e responsabilidade de quem, quem poderia ter feito diferente, quem poderia ter evitado. Em suma, sou a chata que não toma partido de nada e ninguém. Então joga pedra na chata da Geni!!

Mas, quando o assunto é escolha, pareço mesmo de gêmeos, sempre em dúvida, não consegue decidir entre casar ou comprar uma bicicleta e não decide nem o lugar do jantar, porque não sabe onde tem mais vontade de ir. Sempre saio como “ah, mas você está sempre no tanto faz!, decide alguma coisa na vida”, ninguém percebe que, na verdade, eu quero é tudo! Então joga pedra na indecisa da Geni!!

Nos negócios, sou muito prática, então já me enxergam aquariana: destemida, olhando sempre para frente, sem medo de apostar em propostas otimistas e precursoras de novidades. Não desisto, vou até as últimas consequências, sem aceitar não como resposta, então já recebo olhares castradores como quem diz “sai pra lá, jacaré”! Então joga pedra na ambiciosa da Geni!!

E no amor… Ahhh o amor… que me doo incansavelmente como peixes, sonhando futuros possíveis e impossíveis, na expectativa de viver nas nuvens para todo o sempre, feliz para todo o sempre! Voo longe nas expectativas de intensidade, na pureza dos sentimentos, na inconsequência dos atos… Então joga pedra na avoada da Geni!!

Chega.

Cansei. serei só Geni.