Bruxa Madrinha

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Olhou vestido. Ajudou na escolha do anel. Provou os docinhos, aprovou o jantar, testou os espumantes e os vinhos. Dispensou a cachaça com canela. Correu para buscar o fraque e colocar o lírio na lapela. No dia marcado, abraçou com força a amiga, que se debulhava em lágrimas em uma dúvida atroz. Não tinha certeza. Tinha medo de não ser ele o homem da sua vida. De estar fazendo burrada. De se divorciar em breve e ser a solteirona mal amada. Decidiu. Não ia subir no altar. Podiam fugir, as duas, fazer aquele mochilão na Indonésia. Foi aí que ela estrebuchou. Gritou e xingou a noiva aparvalhada. “Escuta aqui – dizia enlouquecida – qualquer noivo vai ser o errado, qualquer sim será sem certeza e não importa quão francês o champagne seja por vezes você vai pensar que era melhor ter comido merda. Agora cala a boca, deixa eu arrumar esse rímel borrado e casa. Não me dá essa trabalheira por nada”. Assustada, a menina de branco aquiesceu. Anos depois, ria sem freios daquele esculacho. Sim, já estava na terceira união. Sim, vez ou outra ela comia merda.  Mas então convocava a madrinha, falava e ouvia asneiras e no final das contas concluía que o melhor do casamento eram elas.

Sobre Marina Costa

Vegetariana, sagitariana, feminista e humana, emanando energias para que nossa vida nesse cosmo infinito tenha um sentido no fim. Mesmo que seja o de produzir ecos de bons sentimentos e só... Ver todos os artigos de Marina Costa

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