QUANDO A COR DIVERSIFICA

No fim do século passado e começo deste, uma tendência ampla e sem antagonismos emergia das várias áreas do pensamento. Pela nova linha, buscava-se o meio das discussões, não as pontas, saindo do oito ou oitenta, do sim ou do não. Começava um processo de mudança para que se atingisse mais objetivos sem as retóricas rígidas. Confesso que isso muito me entusiasmou, por perceber que os fanáticos iam perder espaços, por não conseguirem ver além de suas visões de mundo.
Passadas algumas décadas, notamos que não foi bem fundamentada essa teoria e que lá nas profundezas de seus âmagos, a humanidade tinha ficado com um ranço que agora vem aflorado em várias atividades – políticas, religiosas, culturais, mas muito também por interesses pessoais não revelados.
Bem, não preciso escrever muito sobre isso, pois todos vêm assistindo o que acontece nas esferas do poder de nossas instituições. Nunca se viu tanta controvérsia sobre as questões de gênero, de raça e das tendências políticas, como se não fosse possível uma convivência harmoniosa com todas as categorias sociais.
Saindo dessa fala dos estertores do poder, a publicidade, que sempre trouxe para suas campanhas os momentos mais atuais e suscitando discussões nas suas imagens, também recentemente sofreu severas críticas. Vou dar nome aos bois – a Adidas lançou uma coleção praia, onde colocou modelos negros, para a devida divulgação das peças. Foi uma grita, porque acharam apelativa a campanha, por estarem fazendo uso desses modelos seguindo regras criadas pelas leis de consumo. Ora, a sociedade brasileira é diversificada e a moda é para uso de brancos, negros e pardos, sem entender que há uma tendência racial. Os que respondem pela outra ponta contestariam no caso dos modelos serem todos brancos, pois aí estariam deixando de lado outras representações de raças.
E veio a lembrança da famosa marca italiana United Colors of Benetton, criada em 1965, na região de Veneto, que sempre trabalhou em cima da trilogia cor, qualidade e moda, usando a cor não apenas como sinônimo do colorido de suas roupas, mas universalizando o consumo de seus modelos. A sua polêmica atingiu altos decibeis pela ousadia, irreverência da sua publicidade, mesclando em suas imagens fatos ligados ao racismo, à fome, à Aids, entre outros temas.
Os antropologistas e estudiosos do comportamento humano têm um vasto material a ser analisado, no que se refere às cabeças travadas e que só conseguem ver um ângulo da questão.
Não se trata de ser Benetton, mas vamos colorir o mundo com as várias tendências, desde que sejam éticas e façam bem para a humanidade!


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