TEMER O “TEMER”

Uma ação verbal que pela grafia é também um nome próprio, que agora pelas votações no Senado, transformou-se em um presidente da nossa República, pelo menos por 180 dias. Aproveitando essa dupla função do termo, há no ar de nosso imenso Brasil, um certo temor de como o país irá se desenhar, mas uma coisa é quase unânime, a necessidade de reformas, que incluem mudanças estruturais no comando do governo, governo este que levou as instituições públicas a perderem credibilidade e seriedade.
Michel Temer, vice-presidente na chapa de Dilma, desde o primeiro mandato, agora no possível afastamento dela pelo impeachment, na linha sucessória assume a função magna. Um paulista de origem libanesa e que tem em seu currículo cargos como Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo (80/90), Procurador Geral do Estado de São Paulo, Deputado Federal e Presidente da Câmara Federal.
Guindado ao cargo, mesmo temporariamente, de Presidente da República, ele e seu ministério foram empossados no dia de ontem (12), mas possivelmente, nesta sexta-feira, 13, começa a governabilidade. E aí, novamente, há um jogo entre pessimistas e otimistas, prós e contras, agora pelo lado da numerologia. O número 13 tanto é considerado como de azar como de sorte, dependendo das crenças.
Esse número, no entanto, vem marcando fatos históricos por aqui muito significativos. Vamos lembrar de alguns – foi em 13 de maio de 1888 decretado o fim da escravidão; o AI-5 entrou em vigor na ditadura em 13 de dezembro de 1968; as últimas manifestações contra o governo atual aconteceram em 13 de março; e, mais do que isso, o partido que está no poder, o PT, tem sua sigla 13 e governa por um pouco mais de 13 anos.
Coincidências à parte, pelo lado dos abolicionistas, a saída dessa sigla do cenário seria um ato de libertação, mas pelo outro, uma jogada de incertezas, assim como os escravos livres que ficaram em desamparo por décadas.
No papel de terceira linha de pensamento, quero acreditar que agora não temos outra saída e não podemos deixar escapar essa oportunidade de tentar a reconquista da governabilidade e do desenvolvimento.
Espero que esse verbo temer não seja suplantado pelo acreditar.


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