Ctrl+X

Para ser classificado na categoria “amigo de alguém”, certos padrões e condições  são implicitamente traçados com base nos princípios morais, éticos e, em alguns casos, até mesmo princípios sociais. Estabelecemos inconscientemente parâmetros que determinam quais são as qualidades mínimas, os defeitos aceitáveis e os requisitos básicos para uma convivência harmoniosa e, claro, buscamos sempre cumprir a meta de ter em nosso círculo de amizade apenas quem estiver com “OK” nessas categorias.

Acontece que nem todas as pessoas que aparecem, ficam ou passam pelas nossas vidas, poderiam ser classificadas como “aprovada” por esse padrão; seria tudo bem se elas simplesmente deixassem de fazer parte das nossas vidas num estalo de dedos, contudo, algumas vezes somos obrigados a travar certa convivência pois, em geral, essas “peças” estão localizadas nos setores dos quais não conseguimos escapar e acabam aparecendo nos momentos que representam grande parte da nossa existência, como estudo, trabalho e família (e neste último, costuma ser para sempre).

Mas a vida não é tão sacana a ponto de deixar disponível somente o atalho do ctrl+v, inserindo gente e mais gente, sem qualquer critério prévio; ela também nos dá certas oportunidades de apertar o crtl+x e recortar de imediato da nossa vida quem não nos faz a menor diferente (ou aqueles que nos fazem mal mesmo).

Hoje eu apertei o crtl+x .

Pela primeira vez eu recortei uma pessoa da minha vida, recortei o que restava da convivência que tínhamos e confesso: sinto-me plena de satisfação. O que antes era um contato respeitoso pessoalmente, pelo puro hábito da educação moral, passou a ser apenas virtual e esse, quando secundário, nunca havia sido muito delicado. Mas, na boa intenção de buscar a luz da vida harmoniosa, o contato apenas virtual continuou… por apenas uma semana.

Não deu. O que era torto enroscou de vez e transformou o suportável em inadmissível; com apenas três frases, qualquer esperança de conserto se foi e eu desisti de tentar forçar algo que, anunciadamente, não daria certo.

Penso que se a revolta que havia – e isso é dedução do meu maldoso coração – enrustida na tal pessoa resolveu, enfim, extravasar e colocar todas as cartas da manga sobre a mesa, que faça!, com todo o direito que lhe é naturalmente dado. Porém, outro direito naturalmente ofertado é de aceitar ou não tais atitudes, certas posturas ou opiniões. Assim, aqueles princípios determinantes do padrão de qualidade “amigo / colega” estão de olho também nesses rompantes e, como diz a máxima popular, tudo tem limite.

Certas pessoas não fazem diferença e, portanto, não fazem falta. E se não fazem falta, a pergunta é: para quê?

Então recortei sem dó. E adeus.

Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

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