QUE HISTÓRIA É ESSA?

Não bastasse a polêmica sobre o fechamento de escolas do estado de São Paulo na capital e relocação dos alunos para unidades de outros bairros e, ato contínuo, em represália, a ocupação dessas escolas por alunos e familiares, eis que o Ministério da Educação e Cultura vem acenando para modificar a base nacional curricular, com foco no ensino de história.
A educação anda combalida, de há muito, e chovem acertos a serem feitos em todas as áreas, desde melhor formação dos professores, melhores condições físicas por espaço, bibliotecas, incentivo à pesquisa e respeito pelos alunos. Nesse particular, há que se concordar que os alunos das escolas públicas estaduais tenham razão, quando lutam para não serem removidos para outros prédios, pois não foram nem sequer consultados. Talvez aí, tivessem chegado a um consenso e todos sairiam ganhando.
Por outro lado, a disciplina de história no ensino médio está para sofrer uma mudança. Discussões vêm sendo travadas, o que devem se estender até o primeiro semestre de 2016, antes de entrar em vigor. O que pretendem é inverter a ordem das prioridades em história, começando no primeiro ano com estudos sobre a África, Américas e relações África-Brasil do século XVI até a atualidade; no segundo, com história das Américas e história indígena; e, no terceiro ano, com a história contemporânea do século XX à atualidade (grandes guerras, imperialismo, movimentos migratórios e formação da sociedade brasileira).
Essas propostas, que deverão ainda ser encaminhadas para o Conselho Nacional de Educação, invertem a forma de se estudar a disciplina até então, que começa pela Antiguidade clássica (Grécia e Roma), no ano inicial, depois no segundo ano com a história contemporânea do século XVIII à atualidade (revolução industrial, grandes guerras, conflitos étnicos atuais; para no fim abordar a história da América (culturas indígenas, revoluções latino-americanas e militarismo).
Há grandes controvérsias em cima dessas propostas, que irão afetar cerca de 190 mil escolas públicas e particulares e 2 milhões de professores, os quais consideram que o modelo pode bater de frente com as provas do Enem e os exames de vestibular e da Fuvest, que sempre aparecem com questões visando os períodos que agora estão sendo deixados de lado, como Renascimento, Idade Média, Idade Moderna.
Entendo que querem valorizar primeiro o lugar em que habitamos, de onde viemos e se situando no mundo, a partir dessa eclipse que vai ampliando, mas também não se pode esquecer que as civilizações de todos os tempos e suas conquistas e marcas exercem um papel forte para entender o que somos hoje.
Uma vez ouvi em um curso que fiz (e nem era de história), que uma das disciplinas mais importantes era a de história, pois nela estão contidos todos os registros, experimentos, causas das divisões do mundo, poderio econômico, político e toda a cultura dos povos. Nada fica de fora de seu ângulo de ação. Acredito piamente nessa afirmação.


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