REMEXENDO NO PASSADO

Nossa casa é um esteio. É ela que define quem nós somos e do que gostamos. Mas é, antes de tudo, um lugar que nos protege e ampara e onde guardamos os segredos, dos mais banais aos mais profundos.
Quando mexemos em gavetas e nos armários, esse desvendamento transborda e o que estava no fundo de nossos baús dormindo e bem escondido volta para a cena do presente, trazendo imagens, cheiros, sons e sensações.
No caso dessas descobertas serem feitas por terceiros, acontece um invasão de privacidade, e pior, quando inexiste a figura da sua autora ou proprietária daquele patrimônio. Mesmo não sendo proposital, mas necessária, quem faz essa avaliação e triagem de bens e pertences, fica com a sensação de traição e, por mais que tenha vivido por longos anos com a pessoa, ainda acaba-se conhecendo novos detalhes da sua personalidade.
Por outro lado, mesmo sendo doído e sofrido, vêm à tona festas e comemorações que contaram com vestidos e sapatos, jóias e enfeites e surgem os momentos de glória; fotos de filhos, netos e bisnetos, como arquivados no coração enquanto batia firme; e mais perfumes, objetos de costura, muitas imagens de santos e santinhos impressos e remédios, muitos remédios, trazendo para a frente a realidade dos últimos anos.
Todo esse acervo amealhado em décadas e décadas surge carregado de uma aura ainda muito viva e preenchendo o quarto de seus movimentos e vozes, para logo se calar e não mais fazer parte daquele cenário.


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