ÁGUAS DE MARÇO

A noite toda choveu e veio encarar o dia ainda com muita água vinda do céu. Podemos dar todas as explicações dos fatores meteorológicos e suas influências de marés, frentes, vazão de rios, confronto das massas quentes com as frias, tudo isso. Para mim, porém, são lágrimas que ainda não se consegue reter, pois vêm em instantes inesperados, assim como os imensos pingos que caem pelas vidraças e escoam pelo asfalto.
E chegamos em março, ainda de verão, e a música de Tom Jobim, lançada em 1972, teima em bater na nossa cabeça, com a letra movida pelo ritmo e compasso. “Águas de Março”, em um de seus versos, diz – “é a promessa de vida do teu coração”. Sábio como era, esse maestro e compositor mostra que os fatos rotineiros se sucedem, mas a vida viva no coração precisa estar mais do que presente e nos dá um alento e uma força para a retomada. E depois da chuva vem o sol e lembrei de uma frase de Fernando Pessoa – “um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem cada um como é”.
Ficando com essas imagens poéticas de dois grandes pensadores das coisas deste mundo indecifrável, entramos no terceiro mês do ano e com as chuvas para nos acalmar a alma com seu barulho gostoso e terapêutico.


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