COMENDO FOGO

A gente engole cobras e lagartos, faz boca de sapo, come cru ou come quente, queima a língua, finge gostar do paladar, degusta até arrepiar e por cima ainda tem que sorrir.
Estamos sujeitos a tudo isso, por incrível que pareça e, queiramos ou não, interpretamos alguns desses papéis indigestos. Por escolha, por obrigação ou educação? Por conveniência ou interesse mesmo? Um pouco de cada no equilíbrio do cardápio diário.
Outro dia, em um dos cruzamentos urbanos, na parada do sinal vermelho, um rapaz bastante novo simplesmente comia fogo, além de fazer malabarismos com bastões incandescentes. Nos poucos segundos daquela parada fiquei a olhar a criatura que, para sobreviver optara por essa tarefa tão singular, tal qual um circense , fazendo seu show para ganhar uns trocados.
Esse sim era um prato misturado a querosene, pronto para derrubar qualquer cristão e capaz de deixar qualquer insensível com um aperto na garganta ou com vontade de regurgitar.
Pode ser por culpa do desemprego que está levando a esses caminhos árduos. Logo poderemos ter outras “profissões”, como o faquir, o atirador de facas e sua modelo, o domador de leões, todos saindo das arenas do circo para o palco do dia a dia.
Para o comedor de fogo não pude deixar de mostrar minha solidariedade, entregando-lhe algumas notas. Reconheço que muito pouco para um risco tão deprimente, enquanto alguns conterrâneos, sem nenhum esforço, usam bocas muito grandes para abocanhar muitos milhões, se empapuçam e depois se fartam nas orgias de gabinetes.

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