Acho que já vi esse filme

OSCAR-LABEL

Eu já vi filmes e arranjei confusão suficiente na vida para saber que não se dá conselho para quem não pediu. A regra é válida exceto, é claro, se você for o personagem que exerce a função de coro grego e olhe para a câmera dando os pitacos não solicitados em absoluta segurança. Ou, se você for o vizinho ou a tia inconvenientes e der palpites assim porque a pessoa PRECISA ouvir.

Bem, a Academia não pediu a minha opinião mas eu vou falar de qualquer jeito. Faltam negros indicados na premiação. Faltam negros porque as pessoas “de cor” são coagidas pela sociedade a parar de graça e procurar um emprego que lhes sustente. Teatro, cinema, música, medicina são coisas para quem pode pagar por isso. Quem tem que receber para viver sabe que o seu ônibus não é esse.

Aumentar o número de eleitores negros, latinos e mulheres tão pouco irá corrigir a distorção entre a maioria branca e as minorias entre os indicados. Sim, porque basta olhar a América Latina e ver quantos homens brancos são eleitos; quantas mulheres brancas conseguem furar esse bloqueio. E quantos homens negros estão no topo, quantas mulheres negras ou índias estão ditando as regras de suas áreas? Talvez, aliás, você possa dar de bate pronto quem são as mulheres, indígenas e negros nesse caso porque são tão poucos que periga o leitor saber de cor.

Negros, mulheres e índios votam em brancos. São condicionados a isso pelo meio em que vivem, mesmo tendo um ou outro membro de minoria aqui e ali pra escolher.

É válido o auê porque tira a discussão do gueto, porém… Enquanto não houver mais negros escrevendo roteiros, livros, peças, compondo e educando, esqueçam, não vai ser na caneta que isso vai mudar. Aliás, senhora presidente da Academia, um certo conterrâneo meu, José Sarney é seu nome,  tem lhe oferecido esses conselhos? Porque parece todinha ideia dele essa sua proposta, só acho.

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Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos. Ver todos os artigos de Aline Viana

Uma resposta para “Acho que já vi esse filme

  • Bia Bernardi

    De se pensar que, no Brasil, mais da metade da população é negra ou é descendente, e ainda sim a dominação é branca. Será mesmo que a escravidão acabou? Será mesmo que todos tem os mesmos “direitos”???

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