Azul e Verde

Não costumo gostar – nem mesmo me preocupar – com livros que já começam como best sellers. Não confio muito em críticos que dizem “esse é o melhor livro do ano” ou coisas do gênero. Costumo gostar de autores e fuço as livrarias pelas indicações de amigos ou até mesmo pelos nomes de amigos que hoje – felizmente – já populam as prateleiras.

Assim, quando livros são presentes, em geral seleciono títulos dos quais eu garanta a qualidade e, de preferência, são de alguém que eu já tenha lido também. Mas anos atrás eu quebrei essa minha própria regra e dei de presente a uma grande amiga um best seller que eu nunca havia lido nada além de comentários na internet e propagandas nas lojas.

Aquilo me corroeu de tal forma que eu me senti no dever de compar um exemplar para mim também, e ler.

“John Green, seja bem-vindo à minha estante”, pensei, “vamos ver o que você me diz com essa capa azul…”

okay

Tenho preconceito com best sellers, assumo sem titubear. E foi com esse sentimento que me dei a ler o tal livro em 2014. Demorei quase um ano e meio na leitura. Parei pouco depois da metade, achando o livro bem piegas; até que bem escrito, mas piegas. Na minha resolução de ano novo, retomei alguns livros que não havia terminado com a intensão de terminá-los. Retomei John Green como segundo título, segundo com o qual havia me desvencilhado por uma decepção pontual.

Este, em especial, continuou piegas, mas revelou ser, no segundo momento de leitura, um livro muito simpático, que cativou minha atenção a ponto de ignorar tudo o que havia por perto, de quase perder o busão e esquecer de jantar nos momentos em que o lia. Não o caracterizo como um best seller por apresentar o que chamo de “enredo excepcional”, porque não tem um enredo tão excepcional assim; ele conta uma história bonita e cativante, por isso vende tanto. Mas é um livro que faz pensar e gosto, sobretudo, de livros que nos fazem pensar.

Hoje, um ano e meio depois, penso que livros tem seus momentos para serem lidos, e que não serão, necessariamente, sempre ruins ou sempre bons. Bem, isso não significa que eu vá ler livros com fotos de casais na capa, não mesmo. Mas acho que investirei no tal do Green. Gostei do azul, quero ver se gosto também do Verde.

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Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

2 respostas para “Azul e Verde

  • Lunna Guedes

    Não li o livro de capa azul, confesso… porque li algumas resenhas e me causou preguiça. Também não gosto de livros que surgem como best sellers justamente por conhecer como funciona o mercado editorial. Nem sempre o melhor é o que vende, acha visto o sucesso dos livros de desenhos que agora empacou de vez nas prateleiras.
    Enfim… o Green não é para mim, continuo nos classicos ingleses e franceses. rs

    bacio

    • Bia Bernardi

      Também tem o lado do estilo, com certeza! Ele faz bastante diferença não “gostar, ou não gostar”… Eu, em especial, quando fugi dos meus estilos, fui feliz!
      Obrigada pela visita Lunna! Sempre bem vinda!!

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