Há cinco anos

Imagem: Stefano Corso - https://www.flickr.com/photos/pensiero/
Imagem: Stefano Corso – https://www.flickr.com/photos/pensiero/
O Facebook exibe uma foto de cinco anos atrás e pergunta se eu quero compartilhar a lembrança com os outros. É aniversário de um amigo, a turminha do antigo trabalho está toda reunida. E, pela primeira vez nos últimos anos, eu não me ressinto de ter perdido o meu cabelo comprido, mas por não estar mais com a minha mochila.
Eu ainda poderia me lamentar pelos quilos ganhos desde então e pela esperança que eu tinha de sobra. Mas o que realmente me faz falta era a pequena mochila, azul e cinza com zíper cor de rosa. Rosa não, pink.
Uma mochila que me custou, se não me engano, R$ 48 quando eu estava no meu último ano de faculdade e estagiava na campanha política de uma senadora hoje muito mais loira do que naqueles anos. Comprei a mochila porque queria começar a malhar e dentro dela cabia tranquilamente o meu tênis, a roupa do treino e os produtos de higiene.
Andamos juntas no ônibus, nas viagens, durante a mudança para outra cidade ela também me acompanhou e por muitos dias depois que voltei. Até que um sujeito, talvez um morador de rua, invadiu a minha casa para roubar. Deixou um fedor incrível, talvez por isso ignorou os meus perfumes importados (a serem pagos em 10x sem juros no cartão), mas levou uma jaqueta minha, outra do meu irmão, a câmera digital da minha mãe, o celular dela (sempre esquecido sobre os móveis da casa), a tv da sala, ainda espalhou os meus novelos de lã pelo chão do meu quarto – não sou dessas que têm tesouros na parte de cima do guarda-roupa, sorry – e levou as nossas mochilas. Não creio que o meu irmão ainda esteja viúvo da mochila dele, mas a minha, pôxa, que desnecessário!
Era tão pequenina e tão grande! Acomodava ainda, sem dificuldades, o livro que eu estivesse lendo. E uma garrafinha d’água num bolso externo. Talvez tenha sido a bolsa mais perfeita que já tive.
Você imagina que se ela estivesse aqui, hoje, eu não lhe daria valor. Aí você se engana leitor, essa cronista sempre soube valorizar os sapatos e as mochilas – as calças gastam-se, apertam, mas sapatos e mochilas permanecem firmes. Quando partem ou se acabam, fico de luto. Não é consumismo. São histórias, que começam pelos pés e guardam-se – por que não? – na mochila.

4 comentários em “Há cinco anos

  1. Oi Aline, transportei-me para a minha adolescência, embora não houvesse mochila naquela época, mas as coisas que levávamos conosco,para todo o lado, como uma casa ambulante. Boa descrição de um afeto material. Bjs.

  2. Você me pegou pela mão e levou para casa, quando tinha uma mochila jeans, cheia de pins de diversos lugares. Alguns eu ganhei, outros eu comprei. Enfim, era meu mapa e se foi num cruzamento qualquer da cidade. Nem sei o que tinha dentro…

    Bacio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s