Arquivo do mês: dezembro 2015

VIRA, VIROU. E O QUE VIRÁ?

 

Gostaria de terminar o ano dando boas-vindas a 2016 de peito aberto, agradecendo muito por conquistas e méritos empreendidos ao longo da jornada que se finda, nas várias áreas e âmbitos.
Quem traçou prognósticos para 2015 deve ter ficado muito além ou aquém do que imaginou. As surpresas vieram de toda parte. Do exterior, tragédia na Síria, crise mundial de refugiados (mais de 1 milhão) em direção à Europa, atentado terrorista em Paris. Isso só os mais causticantes. Mas vamos e venhamos, aqui, debaixo do nosso nariz, é que as coisas foram drásticas. A percepção de que revolvemos todo o esgoto e que a sujeira aflorou. Parece que não há um canto limpo sequer para colocarmos os pés. O saldo – R$ 120 bilhões de dēficit, incluindo o pagamento dos empréstimos (pedaladas), inflação de 11%, estado de falência no Rio de Janeiro, tragédia ambiental em Mariana (MG), cumprimento de só 1/3 das metas do Governo Federal (das 34 estabelecidas, 11 atingidas), desencontro entre os Três Poderes da República, com ameaças, bate-bocas, disputando espaço e o Brasil esquecido em suas necessidades. Esse elenco, muito resumido, dá para ter uma ideia do que nós brasileiros vimos sofrendo com o barco à deriva.
Mas, como não sou derrotista e não abandono os remos no meio desse oceano, prefiro não mergulhar de cabeça e deixar que a inundação tome conta, mas lutar para tentar chegar do outro lado, onde muitas coisas acontecem de bom, onde há luz, inteligência, solidariedade e muita garra. E não me refiro a coisas deletērias e pós-vida. Aqui mesmo podemos garimpar as jóias.
Ē que estamos um tanto quanto combalidos, mas querendo olhar para os pontos positivos ainda podemos nos orgulhar de alguns valores que temos, mesmo que poucos, o que nos mantém de pé e de cabeça erguida.
Eu acredito em um ano melhor, mesmo com todas as dificuldades que provavelmente teremos que enfrentar. A limpeza está em processo e não poderá haver retrocesso.
Eu acredito!


Sai a crise e fica a resiliência

O ano de 2015 não foi fácil para ninguém. Mas foi especialmente difícil para mim. E para você. O réveillon pode trazer esperança, mas também melancolia. Eu, particularmente, detecto muita melancolia no ar.

Há, claro, a crise. Como desviar dela? A crise econômica; a política; a psicológica; a emocional; a amorosa, etc. O sentimento é que o ano afundou na crise e como poderia ser diferente? Há menos solidariedade, falta água, faltam médicos, falta dinheiro… e falta amor.

Há, também, resiliência. Sobra empenho; determinação; vontade… e desejo.

Que em 2016 possamos sorrir. Amar. Ajudar. Sermos ajudados. Que o ano se revele pródigo com nossas ambições e resiliente aos ensejos de 2015.

Até lá!


Quem? Eu?

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Os velhos políticos pedem uma forma nova de se fazer política. Não preciso citar nomes não é mesmo caro companheiro? Com o transbordar da corrupção no cenário brasileiro, espalhando-se por escusas instâncias tais quais a lama da Samarco nos montes das Minas Gerais, a cada manchete outra há uma figurinha carimbada a pedir aos nobres colegas que mudem seu modo de governar. Acredito ser isso um sinal de entendimento: as pessoas estão menos tolas ainda que incomodamente acomodadas. Mas estão apontando, comentando, compartilhando, curtindo e deslikando. Em um dia, é o único vereador na bancada de belohorizontina que vota a favor do Uber. No outro, certa comissão instalada para fiscalizar, quem diria, mineradoras. Acordamos e bate à porta novo partido levantando a surrada bandeira verde enquanto promete reunir sobre sua premissa os discentes do clube dos levianos. E assim vamos todos percebendo que a cobra começou mesmo a fumar e cabeças vendidas começam, finalmente, a rolar. Quem corta é a PF, amparada pela guilhotina do MPF, que cedo ou tarde ganhará brasão na bandeira nacional. Quem assiste, extasiado, é o povo e os adversários, ou seja todos nós. Todos mas assim, com um pouco de receio, já que nessa terra de fartura e abundância não há pé que escape de pisar em um pouco de poeira do alheio.  Portanto, caros compatriotas, o quanto antes, o melhor é se colocar do lado dos mais honestos, ou dos menos atingidos podemos dizer. Sair de fininho, deixando os declarados assoladores do povo sofrerem sozinhos a justiça que muito tardou. 500 anos depois, parece que afinal alguns coronéis começam a sentir calor na moleira advindo de furos em seus chapéus. Que o povo não se desespere,  não mais se venda, pois a revolução será sim televisionada. Agora é viral. Haja o que hajar, disparates por vir, o claustro está edificado. É aguardar o destroçar. Assimilar o espírito faceiro brasileiro e construir a partir dos destroços a dignidade que queremos, mesmo que sem saber. Tenhamos todos um feliz ano novo. E que não seja, outra vez, apenas outro.

 

 


Um Natal a sós

Aquele Natal eu passei sozinho. Não viajei para visitar ninguém, fiquei na mesma cidade onde eu já passava sozinho todos os dias que não eram Natal. Estava cansado dessas festas. Queria repetir os Natais da minha infância e sentia que os outros me impediam. Isolado, eu pensava recuperar alguma coisa do que um dia havia sido o Natal. Para isso até enfeitei uma árvore, cuidando para que não houves-se nela o menor sinal de Papai Noel ou presentes – nada que me lembrasse no que o Natal havia se transformado. E era para esta árvore que eu olhava, ouvindo a Mariah Carey cantando “O Holy Night” e pensando em como haveria de passar a minha noite santa.

Primeiramente, era preciso providenciar a minha ceia. Fui até o mercado e comprei um sanduíche de frango com ricota. Mas eu havia de fechar os olhos e imaginar que era um delicioso peru, assim como li em uma historinha do Pato Donald. O Pato Donald ia de trenó com os sobrinhos à casa da Vovó Donalda, para passar o Natal. No caminho acontece uma tempestade de neve e tantos imprevistos que, lá pelas tantas, o Pato Donald solta: “Que Natal!”. Então os patos recebem abrigo na casa de uma viúva e duas crianças, onde só há uma lata de ervilha para a ceia de Natal. Mas as crianças explicam: é só fechar os olhos e imaginar que é um delicioso peru…

A lembrança dessa historinha, que eu havia lido justamente no período dos meus bons Natais, fez com que eu aproveitasse minha ida ao mercado para comprar um gibi da Turma da Mônica. Assim armado, voltei ao meu quarto, onde fiquei à espera de não sei o quê, talvez da visita do Fantasma dos Natais Passados. Teria sido bem recebido. Na verdade, antes que escurecesse eu já havia me convencido que era uma bobagem passar o Natal sozinho assim.

Lembrei-me que a única canção de Natal brasileira, isto é, a única canção de Natal brasileira que pegou mesmo, havia sido escrita pelo Assis Valente em uma véspera de Natal igualmente solitária. Aquela do “anoiteceu, o sino gemeu”. O sujeito que pede a felicidade ao Papai Noel, e já faz tempo que pediu, mas o velhote não vem, com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem. Isso tudo escreveu Assis Valente no Natal que passou sozinho, enquanto que de mim só se pode esperar uma crônica.

A felicidade talvez seja muita coisa para se pedir. Naquela noite eu me contentaria com um abraço. Resolvi sair de casa, esperando, como milagre da noite, topar com algum dos poucos conhecidos que tinha na cidade. Entrei em uma igreja, onde acontecia uma celebração. Havia mais pessoas sozinhas por lá do que eu imaginava. Ocorreu-me que às vezes as pessoas vão às igrejas atrás do próprio Papai Noel, o velhinho que vai me dar todos os presentes que mereço. Ah, e nós mesmos quase não oferecemos pre-sentes, e se oferecemos queremos outros em troca.

Fiquei ali um tempo. Quando me levantei para sair, uma mulher que também assistia a celebração veio em minha direção. Desejou-me feliz Natal e me deu um abraço. Eis que o meu pedido para aquela noite havia sido atendido, e eu saí de lá muito contente, imaginando que, apesar de tudo, eu havia alcançado o perdão pelo meu egoísmo de Natal.


PAUSA PARA MEDITAÇÃO

 

Olhando para a tela do meu computador estou pensando em todos vocês e o que poderia passar de novo sobre o Natal.
Acho que precisamos de boas novas. Sempre foi assim, mas redobrar essas forças para reequilibrar e dissipar as névoas pesadas, que pairam sobre nossas cabeças, é urgente. Sem pieguismo, o “élan” tem que partir de dentro de nós. Sair das críticas somente e espantar o que temos de ruim, com sinceridade de propósitos.
Natal é festa santa, de renascimento, que se repete por milênios, mas será que por anos a fio aprendemos e melhoramos nossas crenças? Estamos parando para rezar, agradecer e meditar para encarar o mundo que ninguém sabe para onde vai? 0 filósofo Immanuel Kant vaticinava -“Acredite em Milagres, mas não dependa deles”. Isso para dizer que a contribuição pessoal aponta para um cenário melhor. Um outro dito popular poderia aqui ser incluído, dando empenho ao esforço individual – “Quem não planta, não colhe”.
Bem, partindo dessas premissas sou obrigada a defender uma visão positiva do nosso entorno, mas com contribuições e crenças em si mesmo, no próximo, na humanidade, até naqueles que nos governam e pedir que saibamos fazer as melhores escolhas para essas renovações que almejamos.
Quem não crê não sobrevive nessa selva e o Papai Noel não pode carregar sozinho o fardo do mundo, levando em suas costas todas as mazelas deixadas pelo caminho. Como crianças, podemos acreditar que o Papai Noel existe para nos trazer esperança. Que ele nos habite, não só nesse período, mas que fique abrigado conosco e que possamos manter diálogo frequente com ele, oferecendo nossos braços, pernas e cabeça para mover o que está parado, limpar o que está sujo, iluminar o que está obscuro. Esse é o presente que quero receber nessa noite – que seja digna de tê-lo comigo no coração e na alma.
FELIZ NATAL a todos e que cada um possa sair um pouco melhor dessa noite especial.


Esse danado 2015…

Que ano, senhoras e senhores! Que ano!

Eleições acirradas em 2014 já prediziam uma sequência de reclamações para o ano seguinte, e estas viriam recheadas de raiva e insatisfação, mesmo parecendo serem apenas bateção de panela com camisa da Seleção. Começou a surgir uns escândalos aqui e outros ali, o tempo passando e ninguém mais escapava: abriram CPI pra empresa grande – e acharam nomes também grandes -, lançaram manifestações esquerdistas e começaram a falar de impeachment, ainda que invocados 49% não soubessem muito bem como é que isso funciona na real. Teve até gente que acusava e mandava investigar que passou a ser acusado e investigado, mas disse que não sabia de nada.

Não foi, sobretudo, um ano muito feliz. Tragédia atrás de tragédia, acidentes tristes de avião, trem, ônibus e carro vimos muita gente sofrer em Mariana, Salvador, Santa Catarina, Paris, China, Israel. Muita gente inocente morreu de forma grosseira, riquinhos atropelando pobretões, polícia matando crianças, culpados e inocentes foram arrancados de seu dia, de suas famílias e o pior: foram sempre substituídos pelo fato mais recente e depois até mesmo a dor das famílias foi esquecida. Sem contar das absurdas manifestações racistas, machistas e preconceituosas que tivemos que presenciar.

Talvez podemos dizer que também não foi dos anos mais tristes. Muita coisa boa aconteceu e nos deixou felizes e … Bom, garanto que cada um que está aqui lendo esse post viveu coisas felizes, certo?, um priminho que nasceu, um amigo que casou, a formatura da vizinha…

Pena que esse danado 2015 nos permita lembrar só do que é triste, ruim, patético ou revoltante. Mas, sobretudo, depois de tanta coisa chata e ruim, a sensação é de esperança por ter visto professores, alunos e a própria população brigando por algo que parece ter sido esquecido – a educação! Também vimos muita gente, ainda que nas redes sociais, criticando atitudes, posturas e decisões bem tortas, exigindo mudanças, melhorias e querendo o que é certo.

Muitos véus têm caído, muitas farsas têm sido descobertas e muitas verdades têm sido ditas.

Boa coisa trouxe esse ano…

É, parece que esse 2015 tá mesmo tirando um sarro da gente.


Achado

cao

Ele apareceu junto com o sol, que depois de muito se esconder entre nuvens despontou pleno e quente na manhã que se fez nova. O brilho de um recaiu sobre o outro e ao olhar dela a luz dos olhos dele chegou. Hipnotizada, observava estática o vento balançar-lhe os cabelos negros e esquecida do momento, sentia como melodia as palavras que ele dizia, sem ousar entender. Ele riu. Ela, desperta, emendou um sorriso cúmplice. Deram-se as mãos. Naquela longa e inóspita estrada ela que andava um pouco distraída, tinha encontrado algo real. Agradeceu a boa estrela do destino e o seguiu.