MÚSICA QUE TRANSPORTA

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Um violinista entoava uma canção na saída de uma estação de metrô, em Paris. Era a Gare du Nord, movimentada devido às várias interligações com outros meios de transporte, o trem, por exemplo. Os transeuntes apressados pouco prestavam atenção ao artista, que devia estar ali para ganhar o seu ganha-pão. Nós, como turistas e com o tempo diferente dos demais usuários, paramos e sentimos o quanto de sentimento era empregado naquela interpretação e percebemos que se tratava de uma obra do russo Igor Stravinsky, “A Sagração da Primavera”. Foi composta por encomenda para o também russo e coreógrafo Vaslav Nijinsky, que estrearia no Théâtre des Champs-Élysées, na capital francesa, um ballet em dois atos, em maio de 1913.
Esse espetáculo veio subverter a estética musical do século XX e os dois irreverentes artistas – compositor e bailarino – marcaram como o grande acontecimento do início da era moderna na música, saindo um pouco do erudito.
Provavelmente, o violinista do metrô desconheça que o espetáculo contava a história de uma garota que foi entregue como oblação à uma divindade primaveril, durante um ritual pagão, para obter melhores colheitas para o povo.
Sabendo ou não, ele cumpria o seu papel de transpor os passageiros para outras épocas e locais, assim como aconteceu conosco, abrindo um parêntesis nas nossas caminhadas pela cidade.

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