Ela não falava meu nome

A ideia de tê-la afugentava a razão. Eu fingi a noite toda que não me importava com o fato dela estar me usando para mexer com o Beto. Eu já fizera isso antes. O Beto já fizera isso antes. Mas ali, já na cama, quando eu deveria estar comemorando, me peguei ensimesmado com o fato de que ela não pronunciava o meu nome. Aliás, não o pronunciara um momento sequer durante toda a noite.

Senti-me alijado de minha identidade.  Minha intimidade, usurpada por um desejo que não era meu. Performei surpreendentemente bem e pensei se ela ainda buscava o Beto em mim. Ao evitar meus olhos após a comunhão carnal, intui minha resposta. A desorientação era tanto minha como dela. Era nossa!

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