Desobediência civil até na dieta

Sou uma comilona em recuperação.  Aliás, melhor colocar os pratos na mesa: eu desconto a ansiedade na comida.  Dependendo do tamanho da encrenca, só o chocolate salva. Diante disso, a nutricionista foi radical e só liberou o chocolate com 70% de cacau.

Eu tentei,  juro. Mas, chocolate com esse teor de cacau, não é de Deus: tem gosto de tristeza pura, ou cocô – é difícil precisar porque me recuso a comer uma segunda barra. Mesmo que fosse uma daquelas de 30g.

Daí, que entre eu e a balança combinei que ficava valendo a regra antiga da nutricionista: um doce por dia e não se fala mais nisso.  E pra não dizer que tenho má vontade, eu aderi ao chocolate meio-amargo, que também deixa a gente mais pra triste do que pra contente. Entendedores entenderão.

Pois no final de semana, numa refeição só, eu me permito uma sobremesa de verdade. E lá fui eu comer um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Pra acompanhar um chá de quentão (!). O bolo tinha um retrogosto salgado.

Retrogosto é aquele sabor que fica na boca depois que se come algo. Quem nunca deixou pra comer a batata frita por último pra ficar com o gostinho na boca naqueles cinco a dez minutos antes de escovar os dentes não teve infância, simples assim. O chá de quentão tinha gosto de cravo. Dava pra sentir o gengibre, mas o cravo dominava. E, vamos combinar, cravo um é bom e dois é demais.

Se classe média sofre, comilonas em recuperação nem se fala. A gente vive com mil e umas restrições e ainda aparece gente pra estragar o chocolate, o chá e o bolo de cenoura. Pense na frustração da pessoa. Querer apenas algo gostoso e receber algo meio assim, sabe? Mais ou menos pra quem está furando a dieta é quase criminoso. Se é pra ser o único doce da semana, perfeito é o mínimo que se espera. Cozinheiros, confeiteiros, boleiros, a colaboração de vocês é o que salvará a nossa reeducação alimentar, contamos com vocês.

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Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos. Ver todos os artigos de Aline Viana

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