Machismos nossos de cada dia

Amiga, não se engane: somos todos um pouco machistas.

Até mesmo você aí que se diz independente tem lá suas escorregadas. Fomos criadas num sistema de princípios que diz que o homem é sempre mais capaz, sempre mais forte, sempre mais inteligente.

“Ah, eu não acho…”

Acha sim. Repare: quando um home faz algo grandioso, ninguém se admira; dizem que é bacana e fica por aí. Mas se quem faz algo grandioso é uma mulher, lá vem a frase: “Nossa, e é mulher, hein?!”. Seja no esporte, seja na ciência, seja onde for, sempre tem um olhar de espanto dedicado aos feitos femininos, em sua maioria com o contexto primitivo – e subjetivo – de que uma mulher não seria capaz.

E as mulheres são as maiores culpadas da perpetuação de uma espécie machista por princípios. Como assim? Eu lhes digo: elas reforçam esses conceitos quando separam ou aceitam a separação de brinquedos de meninos e de meninas, quando dizem que é feio menina fazer isso ou aquilo…

Mas isso nós já sabemos. O que não sabemos é que também disseminamos o machimos pensando erroneamente em respeito, quando queremos que os homens sejam cavalheiros… Por que se o cara ali não levantar e der o seu lugar no busão pra você só por ser mulher, ele é um escroto; ou mesmo se ele não te der preferência para entrar primeiro, ele é um grosso. Não havendo nada que verdadeiramente lhes fragilize, como uma gravidez visível, algum membro a menos, qualquer coisa que dificulte a sua permanência em pé, pode crer: amiga, você está sendo machista.

Mas a mulher sabe se valorizar, e ainda tira uma com os homens…

Por que você, mulher moderna, feminista, está se achando “a diva” com comerciais de produto de limpeza que chamam homems de lerdinhos. Mas eu lhes digo: amiga, acorda! Verdade que não percebeu mesmo que, no fundo, estão dizendo que você só serve é pra ser dona de casa?

Ok, eu compreendo: é gostoso ter preferências bestas só por ser mulher. Não, não é feio admitir, pelo contrário. Mas assim, ó, então vamos combinar: melhor admitir, baixar a bola, ficar quietinha e parar com o mimimi de sexo frágil. Não tá fazendo mais sentido (se é que um dia fez).

Anúncios

Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

11 respostas para “Machismos nossos de cada dia

  • Reinaldo Glioche

    (Re)li hoje uma frase de Simone de Beauvoir que complementa absurdamente essa ótima crônica: “Não se nasce mulher, torna-se”.
    bjs

  • Marina Costa

    O problema é confundir o ismo do feminismo com mais um relativismo qualquer… até que o conceito seja compreendido se vão anos e anos de explicação! Mas eu creio que chegaremos lá!

  • Letícia

    bibi, gostei muito da sua iniciativa em abordar o tema. além de, infelizmente, (ainda) ser muito atual, me parece muito importante refletir sobre o tema; afinal, ouve-se muitas “opiniões formadas” a respeito do feminismo por aí, que são reproduzidos com frequência e pouco rigor teórico.

    tenho, porém, duas observações:
    1- assumir que uma mulher é “culpada” por reproduzir a ideologia machista não se enquadra dentro da própria lógica machista de culpabilizar a mulher? p. ex: “foi estuprada porque pediu”.
    em suma: não vejo as mulheres como perpetuadoras do machismo porque não foram elas que estabeleceram o sistema patriarcal; elas não são beneficiadas por esta estrutura (muito pelo contrário). vejo as mulheres ditas “”machistas”” como vítimas porque, por ignorância/alienação, estão reproduzindo conceitos que oprimem a elas mesmas.

    2- vincular “preferências bestas” ao gênero feminino também não pode ser algo limitador? afinal, tê-las não é um privilégio nosso (e também não é uma obrigação).
    Além disso, e desculpe o tom crítico (às vezes não consigo me livrar dele para me expressar). “Baixar a bola, ficar quietinha e parar com o mimimi de sexo frágil” é uma frase com a qual não concordo e sou vorazmente contra. Simplesmente porque adota uma postura submissa. Nós somos ensinadas desde crianças a agir assim, sabe? E exatamente por isso temos que nos esforçar arduamente para ser assertivas enquanto adultas. Quanto à máxima do “sexo frágil”, bem, nisso eu concordo com você: não passa de ladainha.

    Deveríamos marcar um chá de desaniversário para discutir mais a fundo essas questões.

    Beijos ❤

    • Bia Bernardi

      Explicações póstumas, mode ON! rsss
      Então, adizer que a mulher é a grande culpada pela perpetuação do machiscmo é pensando em quando ela aceita, é a história de não lutar contra o opressor e reforçar indiretamente a opressão. talvez eu tenha colocado a coisa de uma forma esquisita, porque na verdadecabe a ela a responsabilidade por essa manutenção, mas essa responsa é de 50% (óbvio, e não preciso dizer de onde vem os outros 50%, né?). O caso é que a maioria aceita essa condição sem perceber, e tem mais: tem as que percebem e acham conveniente manter. Para elas é que serve o “fica quietinha e para com o “mimimi”, porque aí a própria reclamação se transforma em “mimimi”, uma vez que por debaixo dos panos a situação agrada para ela, apesar dos pesares. Não é pra baixar a bola com relação à luta, pelo contrário: quem está nela precisa se firmar cada vez mais pra acordar quem não está, e até quem finge estar.
      Melhorou? E obrigada pela visita! Surpresa sempre boa ter você nas conversas boas!

  • Oliveira Neto

    Em se tratando exclusivamente de força física, não vejo a expressão “sexo frágil” descabida. Sou visceralmente a favor da delegacia da mulher. E por falar em “baixar a bola”, foi o que muitos valentões fizeram depois da Lei Maria da Penha. Tratar os desiguais de maneira desigual. Claro que exceções, como a Ronda Rousey, não precisam disso. 🙂

    • Bia Bernardi

      Hahahahahaha A Ronda é realmente um ponto fora da curva… !
      É uma pena que a ironia não tenha sido percebida no meu texto, porque essa é toda a intenção que eu quis trazer! O bom é que percebemos que estamos todos no mesmo discurso!

  • Aline Viana

    Sim, tem muita mulher machista apoiando, reproduzindo e ainda ensinando aos filhos esse discurso tão prejudicial, não só a nós mulheres, como também aos homens, que ficam presos em uma série de estereótipos tristes.
    Vale também lembrar que gentileza gera gentileza, oferecer o banco no ônibus ou pedir para segurar a mochila pesada (sim, eu legislo em causa própria, rs) durante a viagem, não diminui nem mata ninguém.

    • Bia Bernardi

      Um dia minha irmã questionou isso é a resposta que dei a ele, repito aqui: não é machismo abrir a porta do carro ou deixar que a mulher entre primeiro quando isso é feito por puro carinho. Segurar a mochila em ônibus e metrô e uma demonstração de companheirismo!! Ai pode vir que tá valendo!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: