O mal (ou mau?) português?

Particularmente, meu coração sofre da angústia do mal português.

Vejo muita gente de renome dentro de empresas, muitos comunicadores inclusive, que falham grosseiramente em seus discursos orais, outros apenas escorregam em aplicar palavras quando não sabem bem o que significam e até mesmo os deslizes de um verbo mal-conjugado.

Mas se o português falado já é causador de diversos incômodos, frustrações e desapontamentos, tenho para mim que o escrito é ainda pior. Não digo tanto pela formalidade de um e de outro, pois isso é apenas uma questão de status – e estou aqui ponderando o uso correto da língua -, mas por que há, por exemplo, mais tempo para pensar na forma certa, na mais adequada, naquela que trará a melhor compreensão se bem posicionada.

Este meu discurso não defende que a língua escrita deva conter as esdrúxulas formações verborrágicas, de quase impossível entendimento, nem mesmo que a língua oral pode ser escrachada só por ser oral. Não há preconceitos, mas defendo que também não haja diferenciações: que se pode para uma, pode também para a outra.

Eu mesma me julgo uma ratinha de laboratório do século XXI quando, por força do hábito, solto um “me fala” ou ainda um “vou estar mandando”. Logo penso que maldito seja o hábito do mais fácil, que nos atropela sem deixar que a gente mesmo perceba. Culpo-me por não conseguir usar o formato “culpo-me” em mídias sociais, ou em mensagens instantâneas e até mesmo nas conversas diárias. Não sai nada menos do que o maldito e mais fácil “me culpo”.

Vergonha própria, vergonha alheia de mim mesma.

E nessas horas eu sempre me perco de saber se o português é mau de malvado, por nos pregar essas peças; ou se é mal de ruim, de tanto que a gente o assassina…

Ao menos o mim eu consigo não empregar aleatoriamente.

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Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

6 respostas para “O mal (ou mau?) português?

  • Sandra

    Seu texto é muito bom e fico feliz em saber que há pessoas preocupadas em aplicar o bom português, seja nas conversas informais, seja nos textos mais elaborados. Particularmente, fico incomodada ao ver alguma palavra escrita de forma errada. Porém, apesar do bom conteúdo, peço que revise seu texto, pois percebi dois deslizes na escrita, que talvez tenham sido propositais, mas que não custa nada alertar: encômodos (quando o correto é incômodos) e aleatóriamente (o correto é aleatoriamente, sem o acento agudo).
    Abraço!

    • Bia Bernardi

      Obrigada, Sandra pela sua leitura e pelas considerações também! É sempre bom ter olhos críticos por perto, pois às vezes escrevemos com o coração, e tão rápido, que somos pegos, como falei, pelo maldito “hábito do mais fácil”.
      Um beijão!

  • Henrique Fendrich

    Lembrei do sábio Humberto Gessinger cantando que “seja o que for, o bom português não vai nos salvar” =D.

    Outro dia caiu-me (argh, que horrível) na mão um livro chamado “Reflexões sobre a língua portugueza”, com esse Z lindo, escrito por Francisco José Freire e impresso em Lisboa no ano de 1842. O sujeito não hesitava em chamar quem usava palavras ausentes nos escritores clássicos. Mas senti uma espécie de vingança ao verificar que logo no prefácio ele diz que a linguagem é “parte integrante” da história da civilização. Pega esse pleonasmo, Chico Freire!

  • Henrique Fendrich

    Comi palavra; não hesita em chamar DE IDIOTA quem usava bla bla bla…

    • Bia Bernardi

      E eu concordo que a língua é parte integrante, inclusive que é mesmo formada pelo povo que a pratica, tanto é fato que o português de Portugal é diferente do nosso – e há quem defenda que a nossa língua deveria ser chamada de “língua brasileira”. E olha que talvez em 1842 esse Z estivesse certo…

      • Henrique Fendrich

        Claro, o Z em 1842 estava certo. Mas isso só vem mostrar que a língua não é essa coisa estática que os nossos gramáticos tanto gostam de defender. E para mudar um Z para um S é necessário, em algum momento, “escrever errado”.

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