Caídode

angel

A asa partiu-se na queda e o anjo, ralado além de decaído, olhou com compaixão e desespero ao seu redor. De todos os castigos divinos sabia ser este o mais temido ainda que no seu caso tenha sido uma escolha do mais puro livre arbítrio. Não que não tenha se considerado tolo após a queda. Mas resolveu enfrentar com caridade cristã o que lhe aguardava. Pobre diabo, ainda que seja a metáfora adequada, ruim foi a escolha de seu próprio destino. Se a pasmaceira do paraíso o irritava, a cegueira tépida dos homens e mulheres, errantes joguetes, o faria regurgitar lições de catecismo jamais digeridas. E lá se foi o anjo de asa partida. Deixou atrás de si um rastro imaculado de penas. E à sua frente caíam,  à semelhança de triste chuva fina, lágrimas divinas.

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Sobre Marina Costa

Vegetariana, sagitariana, feminista e humana, emanando energias para que nossa vida nesse cosmo infinito tenha um sentido no fim. Mesmo que seja o de produzir ecos de bons sentimentos e só... Ver todos os artigos de Marina Costa

4 respostas para “Caídode

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