Literando

Escritor quando cisma de pensar é uma complicação que só: ele é colocado à prova de uma verdadeira confusão mental, de deixar qualquer pessoa normal em perfeito estado de nervos.

É que cabeça de escritor tem coisa pra caramba. Tem palavra esquecida, palavra achada, até palavra encantada às vezes aparece – vai que a história que nasce tem um “quê” de conto de fadas? Além disso, um escritor não desperdiça ideias, motes, sugestões e insights; é melhor guardá-los, alimentá-los bem para o tempo de vacas magras.

Quando um escritor, então, pensa, é como se um fluxo interminável de pensamentos surgisse automaticamente, saindo de alhos para bugalhos, relacionando-se com tudo e nada ao mesmo tempo, temas profundos e rasos se misturam e o dito entra em crise literária existencial.

E toca ele gerenciar as ideias – e também precisa lembrar que ideia não tem mais acento -, separa o que é número numa caixa, o que é brilhante em outra, o que é pertinente numa terceira. Nessa fase, ele já passa da metade da página escrevendo e toma o devido cuidado de não se deixar levar por influências avessas aos objetivos iniciais, descobrindo, enquanto escreve, se este é mesmo o assunto que terá melhor fluidez no discorrer das palavras.

Quem olha de fora até acha que a arte de escrever é um dom, mas é preciso uma confissão: o poeta estava absolutamente certo ao dizer que maior é a transpiração – saiba que os poetas estarão sempre absolutamente certos. A matemática mental de somar as palavras é uma ação fria e calculada, tem origem e destino certos, mas mesmo com a fórmula nem todos são capazes de fazê-lo. O que falta? A transpiração emocional, aquele bater de peito mais forte, o pulsar do sangue na ponta dos dedos e a ansiedade em escrever a próxima palavra.

Justifica-se então as frases de “eu poderia ter escrito isso” ou mesmo as que dizem “isso eu fazia”. sabemos que é tudo uma grande mentira, que sem aqueles elementos básicos a mente não funciona. Sem o vendaval de frases, sem o poderia de pensar em três coisas enquanto se faz duas, sem a íntima relação com as letras e palavras….

Não… Trata-se de um caso de amor, de um sexo quase explícito com a pluralidade de significados de uma mesma palavra: é um tesão essa orgia de palavras!

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Sobre Bia Bernardi

Bia Bernardi é escritora e gosta de ler livros de temas diversos, adora música, pra dançar ou só ouvir, e gosta de estar com quem gosta. Ver todos os artigos de Bia Bernardi

2 respostas para “Literando

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