Hora de mudar

birds

 

Dizem que quando uma mulher quer dar uma guinada na vida começa pelo corte de cabelo.  Isso é particularmente verdadeiro depois de grandes decepções amorosas, a pessoa vai lá no cabeleireiro e sai uma ruiva poderosa, uma loira fatal ou ainda completa pintando as unhas de preto, trocando a inocência anterior por um quê gótico.

Já pra mim, o cabelo é como futebol: não se mexe em time que está ganhando. No máximo, muda-se a cor da camisa, mas escalação e técnico não se discutem. Daí que a vontade de fazer uma tatuagem nova em mim é mais premente do que em outras pessoas.

Não, ainda não pareço uma revista em quadrinhos como sentenciou a minha primeira tatuadora ao saber do meu signo zodiacal. Tenho duas, ambas em locais discretos. A primeira fiz logo quando saí da faculdade e a segunda quando estava apaixonadíssima por um tipo canalha zen.

Nunca ouviu falar do canalha zen? É aquele que adora umas paradas filosóficas, um lance meio semiótico, jamais será visto num terno e tem aquele sorrisinho safado que faz sucesso desde Cary Grant em “E o vento levou”.

Quer dizer, declaração em tatuagem era pra levar o bofe, certo? Errado, bofe canalha só é amarrado por mulheres com táticas bem mais profissionais de conquista. Sim, sou má, aliás, péssima perdedora, me processem.

Apesar disso, me orgulha aquela tatuagem.  Ainda sou muito daquela pessoa que a fez. Alguém que deixava a infância para trás, ao aceitar que a dor da perda vale o risco da viagem. (E sim, eu me estabaquei de cara no chão.) No mínimo, surgem as histórias para se contar na mesa do bar.

Deixando o discurso de autoajuda de lado, o ritual de escolher uma imagem que simboliza algo importante e gravá-la na pele é um ritual de passagem intenso. Talvez por ter algo de primitivo e que conserva algo secreto, ao mesmo tempo em que é visível ao público. A necessidade de assinalar uma verdade na pele. Se isso não é sexy, vocês não sabem de nada.

 

Anúncios

Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos. Ver todos os artigos de Aline Viana

2 respostas para “Hora de mudar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: