“Mad men” está morta. Vida longa a “Mad men”

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Gosto de séries americanas. Já gostava delas antes mesmo da TV americana se transformar na mais exponencial e ungida forma de arte contemporânea. Naturalmente, passei a gostar mais das séries americanas a reboque dos novos tempos.

No último fim de semana, acabou a série que é, mais para o bem do que para o mal, o cartão postal desta nova era de ouro da TV americana. Após sete temporadas, “Mad men”, chegou ao fim. Você já deve ter ouvido falar da série. Se não ouviu. Vá atrás. Não é uma série para “guilty pleasure” ou para “se conhecer”. É uma série que referenda a alcunha de arte que andam aferindo à TV americana. “Mad men”, em termos de sinopse, retrata a América da década de 60 por meio da efervescência da publicidade, que marcou a época e redefiniu valores. Nos detalhes, é muito mais do que isso. É uma vigorosa crônica dos costumes americanos de então e de hoje. É, também, uma análise demorada, desromantizada e algo soturna do sonho americano, do “self made man”.

“Mad men”, ao longo de seus sete anos, se firmou como um testamento do fomento da sociedade que formamos hoje. É, em seus episódios e no todo, uma aula de como se servir da ficção para esmiuçar a realidade. Visitar o passado e estudá-lo, de forma minuciosa e imaginativa.  A série virou uma inusitada coqueluche. Do culto a Don Draper, o protagonista vivido pelo excelente Jon Hamm, aos figurinos, passando por tornar a publicidade, e os anos 50 e 60, sexy novamente.

O último episódio, como não poderia deixar de ser, foi uma aula de dramaturgia. Teve jeitão de fim da novela das nove, mas com mais sofisticação e divagação do que a comparação enuncia. Foi um fim que legitima o todo construído pelo roteirista, criador e showrunner Matthew Weiner. Mas acima de tudo foi o fim de algo que ainda não podemos mensurar. “Mad men”, mais do que qualquer outra série, elevou a TV à forma de arte.  Um legado e tanto e que, em um desses paradoxos que embelezam a vida, fica a perigo com sua despedida.

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Sobre Reinaldo Glioche


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