Dez encontros

dez

Ele se levanta, sonolento e ressaquiado, a resolver se engole a bílis ou a despeja junto com o arrependimento da noite anterior. Conclui pela nona vez no mês que amor mal resolvido e bebedeira são dispostos que se atraem. Toma um banho frio e tentado a passar todo o dia revolvendo lembranças, pega uma literatura avulsa e bate a porta atrás de si, irritado. Talvez se sentar sobre uma árvore, a vislumbrar silhuetas ao ar livre, acabe por se lembrar menos dela…

Ela abre os olhos e enxerga, constrangida, uma companhia ao seu lado. Fecha as pálpebras com força na esperança de que o desconhecido desapareça, mas segundos depois se vê forçada a sorrir um bom dia amarelo. Com pressa e desculpas vazias se veste ansiando ganhar a rua onde a brisa matutina talvez limpe um pouco da culpa que lateja. Entra em um café e o gosto da bebida quente evoca na boca um hálito distante. Suspira desanimada, sem esperanças de esquecê-lo.

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Sobre Marina Costa

Vegetariana, sagitariana, feminista e humana, emanando energias para que nossa vida nesse cosmo infinito tenha um sentido no fim. Mesmo que seja o de produzir ecos de bons sentimentos e só... Ver todos os artigos de Marina Costa

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