O trabalho dignifica o homem

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Amanhã a maioria dos cidadãos deixará de lado suas atividades laborais. No dia do trabalho não se trabalha, comemora-se. Diriam os maledicentes que se comemora qualquer outra coisa, e não propriamente o trabalho. Duvido. O povo brasileiro tem por hábito, nos feriados, refletir sobre a causa.

Há muito tempo, na Era pré-Google, procurei na Internet o autor da frase “o trabalho dignifica o homem”. Como não identificasse a autoria, julguei se tratar de uma espécie de axioma milenar, uma proposição óbvia que não necessitasse de provas, uma sentença proveniente da cabeça de algum filósofo da Antiguidade.

Lembro que a frase me veio à mente para servir de contra-argumento a um colega que estava lendo autores que questionavam a importância do trabalho. Ele andava desanimado com a profissão, como muitos hoje andam, e como eu mesmo já andei um dia – não ao ponto, é claro, de levantar bibliografia antilaboral. O fato é que o meu colega estava bem municiado do ponto de vista teórico, o que me obrigava, no mínimo, a conhecer a autoria da frase para me livrar de um vexame.

Em vez de entrar na discussão, resolvi calar e me peguei brincando em desfazer do meu próprio argumento. É verdade que muitas pessoas se dignificam com o trabalho. É verdade que outras tantas trabalham sem nenhuma dignidade. E também é verdade que outras mais não são nada dignas do trabalho que exercem. E ainda há aquelas cujo trabalho as tornam indignas. Eram tantas “verdades” que acabei rindo sozinho e desisti do embate, embora discordasse da disposição do meu colega e considerasse sua indisposição no mínimo interessante.

Mas hoje eu descobri o autor. E nada de Grécia Antiga! Nada de axiomas! Façamos uma viagem para mais de dois milênios e encontraremos Benjamin Franklin na América, em pleno Século das Luzes, publicando o “Almanaque do Pobre Ricardo”, que consiste, resumidamente, numa espécie de manual de conduta para se acumular fortuna num país capitalista, obra que imortalizou, além da frase título da crônica, muitas outras expressões, como a famosíssima “time is money”!

Eis uma sugestão para a reflexão de amanhã.

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Uma resposta para “O trabalho dignifica o homem

  • Andrea Borges

    Deveríamos consumir o que cultivamos e adquirir o restante com base na troca. É um pensamento radical e para alguns primitivo. Talvez haja uma outra alternativa. O fato é que o dinheiro (e consequentemente o poder) é a maior praga humana da atualidade. Por ele se mata, rouba, mente…

    E assim as pessoas vão esquecendo os verdadeiros tesouros da vida!

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