Cem noivas vietnamitas vendidas a chineses somem de cidade da China

traditional

Xeng foi um dos cem chineses que pagou, mas não recebeu a noiva. Ele esperava entrar o ano novo devidamente casado com uma boa moça, bonita e de caráter simples e modesto. Chegou até a conhecê-la durante as etapas anteriores da negociação. A festa armada, o vestido comprado, os convidados à espera e nada.

Por celular, Xeng é avisado que outro noivo, Pao-chang, cuja noiva viria na mesma remessa, também não teve a mulher entregue. Nem governo, nem agência, nem os sogros deram conta do porquê de Mai-lee e as outras não terem chegado no dia do casamento.

Desolado, nosso herói pensa em se matar. Melhor morrer que viver sem deixar descendentes e herdeiros. Trabalhar pra quê? Dois anos de salário lhe custou aquela esperança. E não precisava nem procurar pra saber que num raio de 300 km mulher solteira não tinha uma. E sequestrar mulher casada, artigo mais valioso que emprego de 40 horas semanais no país, se não desse em morte daria em prisão perpétua.

Naquela mesma noite, lendo alguns livros ocidentais  subversivos, coisa de burguesia degenerada mesmo como Arthur Conan Doyle e Agatha Christie,  Xeng teve uma iluminação: ele iria investigar o desaparecimento de sua noiva, a traria de volta e consumaria o casamento. Aliás, buscaria todas as outras noivas.

E foi assim que Xeng abriu a primeira agência de detetives especializada em recuperação de noivas estrangeiras. O negócio não para de crescer. Agora, ele oferece até serviço de rastreamento via satélite desde a partida das moças do Vietnã, da Indonésia ou até do Brasil, se alguém for buscar assim tão longe.  Pao-chang, o primeiro cliente satisfeito, está bem casado e faz propaganda de Xeng a todo mundo.

Mai-lee, porém, nunca caiu no radar do nosso investigador. Conformado, Xeng compôs uma música em sua homenagem e partiu pra outra. Dessa vez, escolheu uma moça de Hong-Kong que, inclusive, saiu de graça ao noivo: Genji é um bocado liberal pro gosto dele, mas bonitona e entende tanto dos negócios que dá gosto.

*A crônica de hoje é baseada em reportagem homônima publicada pela Folha de S. Paulo.

Anúncios

Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos. Ver todos os artigos de Aline Viana

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: