Na levada do busão (Bia Bernardi)

Andar de ônibus em São Paulo é realmente um momento sem igual. Lá é como o Mundo da Lua do Lucas Silva e Silva, onde tudo pode acontecer. E quem não tem o costume de fazê-lo, eu recomendo!, pois é um mundo à parte, no qual encontramos todos os tipos de pessoas e situações.

Por conta do intenso trânsito da cidade, muitas pessoas fazem do coletivo a extensão da própria casa: almoçam, jantam, resolvem problemas de bancos, de família e até discutem relações com seus pares. E dormem! Apesar do desconforto inerente ao banco do ônibus, blusas e bolsas fazem as vezes do travesseiro (isso quando uns e outros não preferem o ombro do vizinho).

Tem também os trabalhadores natos, que cismam de fazer hora-extra, sentam no cantinho e quebram a cabeça pra que o fluxo de caixa dê certo; isso sem falar dos que carregam metade do escritório consigo: pastas, relatórios, calculadoras e cadernos-ata, envelopes vai-e-vém…

Os mais comuns são os estudantes e principalmente aqueles que estão na faculdade ou ainda na fase pré-vestibular. Aí é uma verdadeira festa!, quer dizer, sala de aula: matemática, física, história, química dançam pelos ônibus, rabiscos frenéticos e ilegíveis (pela pressa e pelo chacoalho do busão) arranham cadernos; livros pulam de mochilas, bolsas sacolas… ufa! Haja fôlego e trajeto pra dar conta de tantas matérias!

É no ônibus também que vemos e vivenciamos todos os tipos de relações interpessoais: é gente que não fala nada e gente que fala demais; gente polida, gente mal-educada; barraqueiros e pacifistas, os manos do funk, do rock, do samba, da favela, da elite, da Assembléia e do terreiro de umbanda. Tem os solícitos, que sempre oferecem para carregar mochilas, os que fingem dormir no banco reservado, os que gritam vai desceeeer

Eu sou uma usuária assumida de transporte público e gosto quando me deparo com situações como essas que contei a vocês. Uma pena que ainda tenha gente nesse mundo que não consegue enxergar através do espelho e chegar até a beleza das exceções, até a graça do cotidiano.

Por que, por mais que a vida de quem se utiliza de ônibus, trens e metrô seja bem sofrida, algo de útil sempre dá pra tirar dessa história. Basta estar aberto a isso! Eu tirei uma crônica. E você?

Bia Bernardi

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