Iggy Azalea, Andressa Urach, Gauhar Khan e o fundamentalismo de gênero

foto: divulgação

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Ok, tucanei o machismo e rebusquei o atraso cultural. Mas à sombra de inegáveis avanços culturais em relação às conquistas femininas ainda nos deparamos com um ódio enraizado e virulento contras as mulheres que representam pontos fora das curvas estabelecidas por uma sociedade peremptoriamente patriarcal.

A rapper Iggy Azalea ganhou alguns prêmios no outro dia no AMA, inclusive, de melhor artista rapper; derrotando figuras como Kanye West, Snoop Dogg, Pharrell Williams e Eminem. O prêmio foi uma espécie de afirmação para Azalea que vinha sofrendo ataques de seus concorrentes nas redes sociais, expressamente em suas músicas (como no caso de Eminem) e em entrevistas. Há um movimento por parte desses rappers quase obsoletos de rechaçar não só que uma mulher, branca, gostosa e que faz o tipo patricinha faça rap e seja reconhecida por isso.  Não deixa de ser algo pavoroso,  mas compreensível no contexto machista do nicho musical. Menos compreensível e ainda mais pavoroso é o levante de ódio que uma rápida pesquisa nas redes sociais sobre Andressa Urach, modelo profissional e batalhadora constante de sua celebridade, indica. Urach está hospitalizada em estado grave em virtude de maus desdobramentos de um procedimento estético.  Não é o mérito de Urach ser ou não um pessoa equilibrada, se faz tudo pela fama ou não. A questão é que ela é alguém que persegue seus objetivos, sejam eles passíveis do seu julgamento ou não, com garra e afinco e em circunstâncias como as que se encontra nesse momento, tem sua morte e coisa pior desejada por gente que nem sequer a conhece. É difícil imaginar algo remotamente semelhante se fosse, digamos, o Mr. Catra quem estivesse na UTI.

O caso de Gauhar Khan, modelo e atriz indiana, é percebido por alguns como expressão do multiculturalismo. Mas o fato da atriz ser estapeada por um homem que estava na plateia durante a gravação de um reality show por que ele entendeu que o vestido que ela usava era indecente adentra as mais profundas noções de barbárie. O fato ocorreu na Índia, mas bem sabemos que poderia ocorrer em um programa com as formas de “Casos de família”, vespertino exibido no SBT e apresentado por Cristina Rocha.

Esse fundamentalismo, esteja ele submerso na pretensa civilidade do dia a dia, ou sufragado por pretextos religiosos ou morais, nos aparta justamente dessa elevação enquanto sociedade e/ou indivíduo. É daqueles casos de se olhar para dentro e tentar extirpar esse monstro incutido por eras de obscurantismo.

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