Sobrevivemos

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Pode parecer estranho, mas sobrevivemos ao processo eleitoral que se encerrou ontem. Morte mesmo, pelo menos que tenho notícia, infelizmente, aconteceu num Palmeiras e Corinthians no sábado. Um cardíaco, palmeirense, sucumbiu à emoção de ver o Verdão ganhando do rival. Não sei, e não fui atrás para saber, se ele ficou sabendo que o time do Parque São Jorge arrancou o empate no final do jogo.

Voltemos ao processo eleitoral. Foram três meses de um pega pra capar há muito tempo não visto nas terras tupiniquins. O clima foi tão intenso e tenso, que o segundo turno deflorou de vez como uma nova eleição dentro da mesma eleição. O que se anunciava no primeiro turno como uma campanha muito baixa, na pior concepção da expressão, deu provas no segundo tempo que era mesmo a demonstração explícita da baixaria. Mas sobrevivemos ao primeiro turno e elegemos dois gladiadores para o turno seguinte.

Os combatentes foram para o ringue e se utilizaram de suas armas. Claro que discordo da maioria delas, o jogo político não deveria ser visto como vale-tudo. Mas em tempos de MMA, UFC, na tv aberta, em qualquer horário, quem vai observar isso? Tem muito gente incentivada a querer e outras querendo mesmo é ver sangue. Felizmente, sobrevivemos, e até onde sei não houve sangue, mas muitas lágrimas.

Sobrevivemos ao processo eleitoral que há de transformar o país. Sobre vencedores e vencidos ficou um legado enorme de compromissos e comprometimentos de realmente fazer dessa nação uma nação melhor. O comprometimento e compromisso recaem não apenas aos candidatos, mas a todos que manifestaram nas ruas, nas praças, nos carros e, sobretudo, na tão elogiada rede social. Sim, estão todos convocados a cobrarem dos vencedores a execução das promessas e dos vencidos o controle das ações. Como vivemos numa democracia representativa, essa atitude de acompanhamento e envolvimento passa por manter seu representante eleito ativo, participativo, atuante nos temas que foram pautados durante o processo eleitoral. Saíremos realmente fortalecidos, engrandecidos e com o gigante acordado, ser durante o próximo mandato, a ser iniciado hoje, exigirmos e acompanharmos as decisões daqueles que lutamos ao lado.

As aberrações declaradas contra quem, alguém, fulano, sicrano, bertano, são idiotices do fervor do momento. Se perdurarem são passíveis de punições exemplares. Sem parecer e nem querendo ser ingênuo, não acredito na divisão da nação pelo resultado das eleições. Até porque ficou demonstrado que quem acreditou nisso não esperou o jogo acabar. Não leu os números e foi para rua ou internet esbravejar sua mágoa. O que ficou realmente dividido foi o nosso compromisso real e intransferível para com o Brasil.

Hoje começa um novo dia, um novo ano, do novo tempo do nosso país. Mesmo que alguns abandonem a causa maior e resolvam morar em outras fronteiras, a maioria, eleitor ou não dos vencedores, não terá como sair ou motivos par ir. Esses, por vontade própria ou pela imposição do destino, serão os “filhos que não fogem a luta”. Se alguém for, que possamos mostrar que o que realmente esse nosso Brasil tem de melhor é coragem.

Sobrevivemos e haveremos de sobreviver aos novos tempos. Não acabou, estamos apenas começando. É isso.

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6 comentários em “Sobrevivemos

  1. Sobrevivemos é o termo correto mesmo, resta agora conseguirmos consertar o barco (a economia, a reforma política, os avanços na educação, etc) com ele em alto mar.

    1. Aline, tudo bem? Um pouco de poesia para ilustrar seu comentário. Bj!

      E então, que quereis?…
      Maiakóvski

      Fiz ranger as folhas de jornal
      abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
      E logo de cada fronteira distante
      subiu um cheiro de pólvora
      perseguindo-me até em casa.

      Nestes últimos vinte anos
      nada de novo há
      no rugir das tempestades.
      Não estamos alegres,
      é certo, mas também por que razão
      haveríamos de ficar tristes?
      O mar da história
      é agitado.

      As ameaças e as guerras
      havemos de atravessá-las,
      rompê-las ao meio, cortando-as
      como uma quilha corta as ondas.

      1. Eu não conhecia esse poema, Celso! Gostei bastante! Obrigada pela dica 😉

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