Esperança de auditório (Bia Bernardi)

Quem nunca aqui assistiu aqueles programas de auditório, que trazem família, mãe, gato, cachorro e marido perdido?

Jogando limpo: ao mesmo tempo que é engraçado, é triste e é também esquisito. Engraçado porque mostram situações inusitadas e que a gente até desacredita que possa ser possível. Triste porque é aqui que notamos até onde o ser humano é capaz de chegar por tão pouco, por mixarias. Esquisito porque… Ah, porque é oras!

Por mais que mudemos de um canal para o outro, tudo parece muito igual e às vezes até um tanto quanto forçado – e se a gente prestar atenção começa a achar detalhes e mais detalhes que usaremos para provar nossa teoria. É família que briga, gente que ganha reforma da casa, do visual, que viaja, que perde, que acha, que vende, que doa, que pede, que é rica, que é pobre…

De uns tempos para cá passei a não mais dar nenhuma bola para isso e nesse ponto incluo, com muito orgulho, obrigada!, o famigerado BBB e todas as suas decadentes gerações. Eu pensava com meus botões: isso não me acrescenta nada! E então ia cuidar da minha vida ignorando a massa de manifestações televisivas.

Porém, essa semana fui surpreendida.

Não é costume das pessoas acreditarem e sentirem a importância de algo sem que tenham passado pela experiência. Assumo que não sou diferente disso e como disse. Até ver que alguém participa de um programa de televisão e ganha um banho de loja e de beleza, é comum, supérfluo e não tem a menor importância na minha vida. Agora, quando o tal programa vai atrás do pai que esse mesmo alguém nunca conheceu… Acho que é bem diferente. Não pelo programa em si, mas pelo tão esperado feliz abraço entre pai e filha.

E mais que disso, é incrível ver a reação de quem tramou o encontro: meu primo, aquele garotinho todo na dele, magrelinho por fora, feito ponto de exclamação, mas esquisitinho por dentro, feito interrogação. Lembra dele? Pois é, o próprio.

E digo o porquê me surpreendi: porque senti que ainda dá para fazer coisas boas até mesmo com o que parece ser ruim, que depende de nós chegar ao topo e que, já dizia meu filósofo predileto, pra querer, é preciso querer forte. E talvez também dê para dizer que – guardando as devidas proporções da comparação, é claro -, os fins justificam seus meios!

Sabe, é aí que a coisa toda começa a fazer sentido e mostra que ainda há um fio de esperança, com a ponta perdida no mundo. Vale a pena procurar? Um poeta já disse que se a alma não for pequena, tudo vale.

Bia Bernardi

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