Até onde o espírito revanchista de Marina levará Aécio?

Foto: divulgação

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Marina Silva protagoniza um fenômeno interessante nas atuais circunstâncias da corrida presidencial. Fora do 2º turno, reside sobre seus ombros a sorte do pleito eleitoral.

Ontem o candidato a vice na chapa encabeçada pela ex-senadora, Beto Albuquerque, disse que “Marina estaria por inteiro na campanha de Aécio Neves”. O eventual triunfo de Aécio depende inteiramente do engajamento da eventual psebista em sua campanha.

Aécio no rescaldo do paupérrimo debate de ontem à noite na TV Bandeirantes já lançou o anzol, lembrando que em Minas as duas principais candidaturas oposicionistas superaram a votação de Dilma. Ainda que seja uma matemática canhestra, o raciocínio procede e indica o mapa da mina. Aécio precisa amealhar o voto marineiro no Sudeste e, junto com Marina, focar nos maiores colégios eleitorais do País. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nos dois últimos, ele foi derrotado e Marina obteve expressiva votação. Dos cerca de 12 milhões de votos que Marina detém na região Sudeste, algo em torno de oito ou nove milhões podem ser transferidos ao tucano se Marina se ungir do espírito revanchista que tem acenado às hostes petistas.

Marina está imbuída em uma cruzada pessoal para derrotar o PT e Dilma, em particular. O tamanho de sua gana irá determinar a sorte de Aécio no pleito presidencial. Mesmo fora do 2º turno, é Marina quem pode dinamitar o PT do poder e diferentemente do que analistas de momento confabulam, sobre a implosão de dois partidos pelos desmandos da ex-senadora (Rede e PSB), reside na sua capacidade de contribuir decididamente para a eleição de Aécio, a afirmação de seu tino conciliador, até hoje pouco experimentado.

O PSB implodiu com a morte de Eduardo Campos e a Rede não teria como não implodir operando na clandestinidade e sujeita a uma aliança pragmática com um partido cheio de fisiologia. Marina pouco tem a ver com essas implosões, além do fato de ser ela o músculo essencial para todos esses organismos.

O desenho da corrida presidencial brasileira é muito interessante. Ainda que, como quem tem acompanhado essas modestas crônicas ao longo da corrida eleitoral percebe, dotada de considerável previsibilidade, a disputa se assenta hoje sobre um componente que em nada tem a ver com Economia, Educação ou Saúde.  A política tem seus modos de se  insinuar fascinante.

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Sobre Reinaldo Glioche


Uma resposta para “Até onde o espírito revanchista de Marina levará Aécio?

  • Aline Viana

    Tem uns tempos já que eu acho que a Marina anda numas de ficar dando “abraço de afogado” nos outros. Eu, se fosse o Aécio, abria o olho. Para não parecer que é birra minha, vale recordar como ela absolutamente não se empenhou na campanha de Campos até o homem bater as botas – a dona ia lá fazer o corpo a corpo com o povo, por exemplo, e sequer levava material de campanha e se assumia como vice dele; as pessoas ficavam achando que a cabeça da chapa era ela. O Fernando Rodrigues também observou hoje que não se pode imaginar que ela saiu mais fraca das eleições, quando levou 21 milhões de votos, contra 19 milhões de 2010. É esperar pra ver.

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