Um museu de velhas novidades

Ainda não foi dessa vez. Ninguém esperava que fosse, mas a esperança é esse sentimento vão, insinuante e desestabilizador que urde contra a razão com frequência assustadora. O mapa que sai das urnas, como dizem os analistas políticos, é diverso, multifacetado e retrógrado. Sim, a palavra é esta mesmo. Nunca elegemos tantos candidatos de procedências militar, religiosa ou ligados a interesses meramente comerciais. Luciana Genro disse algo interessante a respeito. Que o aumento dessas bancadas “conservadoras” é uma reação ao avanço do debate progressista na sociedade. É verdade, mas a análise da quarta colocada na disputa presidencial está incompleta. Não só pela reedição da polarização entre PT e PSDB no 2ºturno da disputa presidencial, mas porque o brasileiro – como extensamente discutimos neste espaço – preza a desinformação na hora de escolher um candidato. Em Bauru (SP), houve eleitor tentando votar em Jair Bolsonaro (reeleito para a Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro) e santinhos inundaram as ruas do País no domingo porque o clichê persiste. Muita gente escolhe seu deputado ali, na hora H, sem qualquer reflexão ou ponderação. O político brasileiro não acredita no eleitor que tem. O subestima contínua e reiteradamente.

O avanço de Aécio Neves ao 2º turno, incensada como surpresa poderosa por muitos, era uma realidade palpável desde a morte de Eduardo Campos. Em muito devido às muitas fragilidades da candidatura de Marina, nos termos como ela se articulou. Isso fora notado neste post aqui no Vida a Sete Chaves quando a maré era toda marinista na opinião pública.

O avanço de Aécio, no entanto, paralisa a reengenharia dos quadros políticos brasileiros e adia a necessária renovação do PSDB. O museu de velhas novidades é composto não só pelo voto útil e pelo voto inútil, duas figuras tão vorazes como idiossincráticas nesses tempos eleitorais,  mas também pela geografia tacanha do mapa que sai das urnas.

Anúncios

Sobre Reinaldo Glioche


Uma resposta para “Um museu de velhas novidades

  • Aline Viana

    Ótima análise.
    Também vi a coisa um pouco pelo viés da Luciana Genro, as pessoas conservadoras quase subiram pelas paredes nos últimos anos com os manifestos, o beijo gay na novela das oito, a cartilha “gay” para as escolas e o repúdio midiático aos pobres cristos Silas Malafaia, Marcos Feliciano, e Bolsonaro e família 😦 É um povo que age em prol das próprias causas, coisa que falta a nós, liberais dos teclados.
    Mas o processo de renovação política virá, ainda que mais lento graças a esse Congresso retrógrado; até porque, logo, logo, vão ser as opções deles que vão acabar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: