Onde o Hulk acertou e todos nós erramos

Foto: reprodução/internet

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A esta altura do campeonato todos sabem do imbróglio que Marina Silva se envolveu com o ator americano Mark Ruffalo. O que era para ser um ás do marketing eleitoral, o apoio de Ruffalo, reconhecimento por seu engajamento político e com causas sociais, intermediado pelo cineasta Fernando Meirelles, acabou por se provar o mais cruel golpe desferido contra uma candidatura marcada por fragilidades e que chega na hora H extenuada por desacertos e covardias.

Ruffalo retirou seu apoio à “candidatura mais sustentável e renovadora do sistema político”, nas palavras do ator, porque  não poderia endossar uma candidatura “com dificuldades de se aproximar  dos direitos civis dos homossexuais”. Ruffalo se referia à união homoafetiva, que já havia causado contratempos à campanha marinista, e agora, no calor das declarações homofóbicas de Levy Fidelix, tendem a ser muito mais dilacerantes à candidatura.

Ao tentar conter o sangramento nas redes sociais, Marina – em inglês – disse que era a favor dos direitos civis dos gays. No que Ruffalo retrucou: “Você é a favor do casamento homossexual?”. Fez-se silêncio. Ruffalo desejou sorte na campanha, desculpou-se pelo que classificou como seu equívoco (não se informar adequadamente antes de declarar seu apoio) e manteve sua posição de não endossar a candidatura marinista.

O apoio de Ruffalo renderia muito menos votos a Marina do que a retirada do mesmo repercutirá entre os indecisos que tendiam a escolher Marina. Não tanto pelo casamento gay, mas pela hesitação, pela volatilidade da candidatura. Características que os rivais tentaram pregar em Marina e Marina foi mais eficiente do que qualquer um deles e cravou em si mesma.

Isso posto, o maior mérito de Ruffalo foi cobrar uma posição enfática da candidata sobre um tema importante e que merece ser debatido na campanha. Ruffalo fez o que nós, enquanto sociedade, falhamos em fazer neste pleito presidencial.

Essa verdade é imutável. Ruffalo fez mais pelos rumos da eleição do que eu ou você. Não deixa de ser um diagnóstico triste este de um país que vai eleger um presidente banhado em retóricas e sem compromissos expressos a respeito dos temas que norteiam os interesses da nação.

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