Memória curta

Papirus

Em busca de um número de telefone, encontrei um velho caderno de anotações. Lá estavam números de telefones que poucas vezes consultei, pois os mais utilizados estavam em minha memória. Daí me ocorreu um pensamento. Quando eu não sabia o tamanho da minha memória lembrava de vários números de telefone, nomes de ruas, datas de aniversário, número da conta do banco e tinha apenas uma senha. Fase boa mesmo era quando nem tinha senha.

Alguém deve estar se perguntando, se alguém estiver lendo, como sei o tamanho da minha memória. Basta somar os kbites do celular, mais o SD Card, o HD externo, mais o Memory Card da máquina fotográfica e a capacidade do computador que consigo o tamanho dela. Somei e descobri que não cheguei a um tera ainda. Não sei se isso é bom ou ruim, mas as imagens recentes e antigas, os amigos recentes e antigos, os números de telefone necessários ou não estão todos arquivados nesses locais. Menos um. Em buscas rápidas, quando estão organizados, consigo encontrá-los.

Uma amiga certa vez me disse que não sabia números de telefones, pois vivia nas nuvens. Não a encontro há tempos, e nem tenho o número de seu telefone nas minhas memórias, mas tenho certeza que é mais feliz, pois hoje tudo vai para as “nuvens digitais”. Sim, podemos guardar nossas memórias em nuvens. Cabe alertar, que como as nuvens nas ventanias dos dias secos de outonos, essas informações tendem a se dissipar com um vírus ou a queda do sistema. Já não dá mais para guardar segredos em nuvens, mas dá para viver nelas.

Seguindo na linha dos amigos que não memorizei o contato. Certa vez um deles me disse que o grande impasse para a informática é conseguir uma saída para a forma binária de programação. Nem me atrevo a tentar explicar o que é isso, mas seria com dizer que tudo o que temos de avanço na tecnologia está preso a sua pré-história. É o passado construindo o presente. Confesso que isso não me assusta. O que me assusta foi saber que os cientistas estão prestes a conseguir colocar num único chip, muito pequeno, tudo o que se produziu de conhecimento ao longo humanidade. Não joguem os livros fora, ainda, vai que alguém esquece de fazer uma cópia ou backup!


Estamos a passos largos para que os arquivos digitais sejam transferidos para o DNA. Dizem que esse espaço será muito maior do que a capacidade dos celulares e computadores pessoais, juntos. Espero que essa nova tecnologia retorne para dentro a minha capacidade de memória. Aí não terei mais a preocupação de ficar sem bateria e nem pane no equipamento. Até que isso aconteça, o número do telefone de casa ficará gravado num papel dentro da carteira. Para as emergências, é claro!

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Sobre Celso Oliveira

Jornalista e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/ USP. Ver todos os artigos de Celso Oliveira

2 respostas para “Memória curta

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