Sob uma sombra

tree

 

Alguém morreu. Estava lendo sossegada sobre a árvore, aproveitando o calorzinho da tarde que começa quando do meu lado sentou-se uma moça bonita. Ela fungava. Eu, quis ser discreta, permaneci como se meu livro fosse de todos o mais interessante, desde a Origem de Darwin. Mas aí ela começou a soluçar. Imóvel, me desesperei. Não sabia mesmo o que fazer, afinal era eu para ela tão desconhecida como para mim ela se mostrava estranha. Os soluços foram aumentando. Olhei de soslaio, despistando. Ela mexia no celular. Abençoado salvador moderno das situações constrangedoras. Ainda assim, o choro não interrompia. E eu paralisada entre a estupidez do calor humano não pedido e a gélida ausência de caridade cristã. Não que a morte tenha me afetado com sua ceifadura próxima. De mais a mais, eu não sabia de quem se tratava. Mas aquela moça sabia. E sentia. E estava ali, tão perto de mim que me fez sentir como se eu fosse a mais ruim de todos os corações gelados da terra. Quando finalmente me resolvi a chegar perto, perguntar se ela estava com alguém, ou no mínimo se precisava de um copo de água, chegou um senhor. A pegou pela mão. Lhe disse que não havia certeza que (disse o nome de uma outra moça) estava no avião. E a levou dali, nos braços. Eu fiquei com um pouco da tristeza dela. Da tristeza de pensar que um dia bonito sobre uma árvore pode ser também a lembrança de uma perda dolorida.

* Depois fui saber que a outra moça era a esposa de Eduardo Campos. 
E essa desconhecida que atravessou minha vida por um acaso desses do
destino, uma amiga do casal. À eles, quem foi e quem fica, toda a paz 
que pode caber nesses momentos de tormenta.
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Sobre Marina Costa

Vegetariana, sagitariana, feminista e humana, emanando energias para que nossa vida nesse cosmo infinito tenha um sentido no fim. Mesmo que seja o de produzir ecos de bons sentimentos e só... Ver todos os artigos de Marina Costa

2 respostas para “Sob uma sombra

  • Sandra Bulhões

    “… a MAIS RUIM…” (não seria A PIOR?)
    “LHE disse…” (pronome “lhe” no início da frase?)
    Crônica inspiradora, mas o uso de um bom revisor de texto antes de publicá-la seria bem-vindo para evitar erros tão infantis.

    • Marina Costa

      Hey Sandra! Obrigada pelo toque… olhando bem, meus textos estão cheios de imaturidades como essa… eu sempre acabo tropeçando quando vou da oralidade que a crônica permite para a rigidez que a escrita impõe… Um dia uma de nós se adequa! =)

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