Arquivo do mês: maio 2013

Batalha da Chuva Repentina

Era domingo e o almoço ainda descia. Todos estavam sentados e pensavam coisas suaves – os assuntos importantes já haviam sido todos discutidos. Vivia-se um silêncio raro, uma pausa para que todos buscassem dentro de si um novo assunto. Pois foi então que o chefe da família esticou o pescoço até a janela com ar de curiosidade e, ao certificar-se do que se passava, voltou-se para nós e sentenciou gravemente: “Está chovendo”.

Essas duas palavras provocaram certo alvoroço em nós. Primeiramente, ficamos espantados, e instintivamente olhamos todos para a janela. Pudemos ver então com nossos próprios olhos: sim, estava chovendo. A nossa tranquilidade de domingo foi subitamente abalada. Lembramos que havia toalhas estendidas lá fora. E, como se não bastasse, alguém acrescentou que as janelas do sótão estavam clamorosamente abertas.

A visão das toalhas tomando chuva apavorou-nos. As mulheres soltaram gritinhos e as pernas dos homens tremeram. Ainda assim, levantou-se um pequeno exército, formado pelos nossos mais bravos e corajosos homens, que se dispôs a enfrentar a chuva e tudo o mais que dela surgisse. O nobre objetivo desses valentes homens era trazer as desprotegidas toalhas para um abrigo, onde não se molhariam e estariam salvas.

Devo dizer que a missão foi cumprida com êxito, e certamente, em algum lugar, a Marinha do Brasil deu uma salva de tiros em homenagem aos guerreiros que ousaram enfrentar tamanhas intempéries. No entanto, o pelotão designado para subir ao sótão e fechar as janelas que, inadvertidamente, haviam ficado abertas, sofreu algumas baixas: houve alguns móveis que ficaram molhados, sem que nossos homens nada pudessem fazer para evitar.

Esses homens retornaram visivelmente humilhados, mas nem por isso deixaram de ser condecorados, pois sem a sua corajosa atitude fatalmente haveria uma tragédia ainda maior. E depois de alguns minutos, as coisas voltaram a se acalmar. Foi então que a senhora da família achou por bem comentar que podia sentir o cheiro da chuva. Todos apuraram o olfato e, encantados, concordaram de forma unânime.

Depois disso, cada um se entregou aos seus próprios pensamentos, que cheiravam à infância. E, nessa distração, algumas das nossas crianças tentaram caminhar em direção à chuva, que ainda caia levemente. Com desculpas variadas e alguns subornos, conseguimos convencer grande número delas a entrar. E foi então que alguém olhou para o céu e viu uma pomba pousada num cabo de energia, com as asas abertas, aproveitando a chuva para se lavar.

A inesperada visão constrangeu a todos, e aceleramos os passos rumo ao interior da casa, antes que o clima de nostalgia fosse além do limite para uma família de bem. Também houve uma garota que se demorou um pouco mais, e que só tornou a entrar quando olhou para cima mais uma vez. E deu graças a Deus.

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Maria, poeta, mas Maria

 

Sua esperança não estava estampada em nenhum outdoor. Ela seguia triste, fugindo de algum deus do Olimpo. Pelos becos da noite, assoviava para morcegos. Perdida entre cegos iludidos. Maria, simples Maria, evocava suas angustias para satisfazer-se. Era mendiga, mendiga a distribuir absurdos pelos bueiros da cidade.

Mas desejava ser rainha das noites mortas, não fossem os disparos, as sirenes, o acender dos cigarros. Maria, sonhadora, mas Maria. Possuía um cinza no olhar. Calejada, ainda Maria. Sua caminhada noturna, inspiração para mesquinhos poetas. Sorria ao beijar as frases que concretizavam os muros: “Mas na próxima página o futuro é lixo”!

Maria, poeta, mas Maria. Ganhara tempos atrás um presente, ganhara tempos atrás os muros das cidades, ganhara tempos atrás uma lata de splay. E foi assim que a cidade ganhou vida, e foi assim que iludidos acordaram.

Muros e mais muros, frases e mais frases, um oásis. Maria ressuscitava a cidade; “Descobri que o homem é um deus enferrujado”, escreveu outro dia, na faixada de alguma construção. “Esconda os rascunhos dos que te leem”, rabiscou Maria, enigmática, mas ainda Maria, e ocultou o slogan de um restaurante francês.

Maria é esse beco, Maria é esse hoje, Maria é esse mundo, Maria é essa noite. Maria teceu uma última frase e despareceu feito os primeiros gritos da manhã:

– Eu descobri, eu desenhei.


Templo da vida

Manifetsante empunha cartaz na Marcha das Vadias 2013. Foto: G1

Manifetsante empunha cartaz na Marcha das Vadias 2013. Foto: G1


Foi uma semana agitada. Marchas das vadias tomaram conta de algumas das principais cidades brasileiras, como São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis. O movimento objetiva trazer à luz a insensatez com que parte da opinião pública influenciada por um machismo histórico e atrelado à gênese social, responsabiliza mulheres por muitos dos atos hostis praticados contra elas.
O movimento, que teve início no Canadá, pegou no Brasil. Já está em seu quarto ano. Se surte efeitos é outra história. Mas é o tipo de engajamento que merece mais repercussão do que a liberação da maconha – e não está implícito que este segundo debate não mereça discussão – mas não recebe. O noticiário parece se resumir à veiculação de imagens que sublinham o caráter de protesto e não a natureza dele. Tudo bem que há marchas demais, mas a inserção e percepção da mulher na sociedade contemporânea são temas que urgem a todos. Sejam mulheres ou homens.
Na Folha de São Paulo da última segunda-feira, e na TV Folha (programa exibido aos domingos na TV Cultura no Estado de São Paulo, canal disponível em outros Estados por meio de operadoras de TV por assinatura) foi veiculada uma reportagem sobre o “nu verdadeiro”. A matéria destaca projetos em que mulheres das mais variadas procedências e idades despem-se para valorizar a beleza feminina. Sem retoques digitais. Ouvida pela reportagem, a designer Fátima Frazão, de 27 anos, que costuma fazer os tais retoques no Photoshop em modelos diversas, decidiu posar nua para “estar do outro lado”. Segundo ela, “a manipulação da imagem para atingir uma beleza irreal é uma mutilação da mulher”. A ponderação de Fátima é de uma força tremenda. E verdade também. Todo mundo faz referência à “ditadura da beleza”, mas já parou para pensar dez minutos que sejam sobre seus efeitos e paradigmas? É aterrador! Para homens e mulheres.
Outra entrevistada, Carolina Costa, disse que “nem todas tem que ser Gisele Bündchen”. Coincidentemente, La Bündchen fez declaração na última segunda-feira (27) ao site Fashionista declarando-se contrária ao “uso excessivo” do Photoshop. Em virtude de uma nova campanha publicitária em que surge sem retoques do famigerado programa de edição de imagens, Bündchen disse adorar “a sensação de ‘nós somos mulheres e nós somos diferentes’. Nossas imperfeições são o que nos fazem únicas e bonitas”. Politicamente correta ou não, Gisele Bündchen é uma pessoa que goza de prestígio suficiente para levantar essa bandeira no mundo psicossomático da moda que emana tendências para o resto dos mortais.
A politização desse debate, que reluz na Marcha das Vadias, começa a ganhar vida também nesses projetos abrigados na imensidão da internet. “Apenas quero fazer nus da maneira que acredito”. Mas ouvi relatos de meninas que posaram nesse sentido (político)”, disse à reportagem da Folha o fotógrafo Jorge Bispo, um dos idealizadores do Apartamento 302.
Esse deslocamento da “causa feminista”, no entanto, enseja exageros e distorções. Muitas pensadoras feministas amaldiçoam, por exemplo, o cavalheirismo. Enxergando nele uma amarra machista mais bem adornada. O grande cronista Xico Sá, também em um texto recente, chama a atenção para o despropósito deste ensimesmamento.
A mulher é o templo da vida definitivo e merece essa distinção. Às vezes, elas mesmas se desconectam dessa verdade.


Pego de assalto

A filha tinha em tudo puxado ao pai. Era uma pena com uma mãe daquelas. Casar com a mulher sem ter conhecido a sogra primeiro foi o maior erro que Ricardo cometeu na vida.

A sogra era jovem, bonita, festeira. Não fazia tempo ruim pra nada, mesmo tendo aquele marido imprestável. Qualquer nego via que não era feliz no casamento. Nunca que reclamou com a filha porque não encontraria nela uma companheira, Ricardo logo percebeu.

Vivian idolatrava o pai. Um sujeitinho que depositava a aposentadoria de vigilante todo dia 05 no boteco do padre, na esquina de baixo, quando muito salvando uns trocados pra pagar a mensalidade do time de futebol do bairro.

Diz ela que antes era diferente, que foi o velho quem impediu o roubo da loteca do Arantes, que ele trabalhou na segurança do Banco do Brasil, onde ganhou vários prêmios de funcionário do mês, que a ensinou a fazer as contas e a aconselhava quando terminava com os namoradinhos dos tempos do colégio.

O sentimento era recíproco. O homem adorava a pequena que não lhe exigia nada, como sobriedade ou vergonha na cara. Ela o visitava  todo dia no fim do expediente. Raramente entrava para falar com a mãe, dizia que não queria incomodá-la com os afazeres de casa.

Ricardo logo percebeu que mãe e filha não se davam. A primeira querendo ver a cria mais bonita, pedindo pra ela passar um batom, cuidar do cabelo, fazer as unhas e a segunda reclamando que não tinha tempo pra aquelas coisas, que isso era preocupação pra mãe mesmo, que não tinha que bater cartão.

Chegando em casa, a mulher reclamava do vestido curto que a mãe punha pra ir ao forró. Vestido que nem curto era e que havia de errado em querer sair pra dançar um pouco? Tinha que o pai ficava sozinho, a mulher respondia irritada. Mas sozinho no bar nunca se fica, ele pensava consigo.

Foi vendo. A mulher pegou o avental, vestiu as luvas e foi pro tanque. À noite, serviu o arroz, feijão, com salada de tomate e bife. Nem um suco, uma sobremesa. Domingo seguinte, a filha ignorou marido e mãe, tirou a tarde pra mimar o velho. Sobrando os dois, ele e a sogra começaram a conversar.

Tinham cursado o mesmo colégio, gostavam de mousse de maracujá e de ver programas policiais na tv. Ricardo deu pra buscar a mulher no trabalho, apenas pra passar na casa da sogra e jogar um pouco de conversa fora. No começo, Vivian gostou daquilo de o marido buscá-la, mas logo começou a maldar, a dizer que ele queria vigiá-la. Depois notou que ele estava de conversinha demais com a sogra, que ela não devia dizer aquilo, mas a mãe não era uma boa esposa, falava demais, não era de confiança…

Mas aí, Inês era morta. Ricardo ficou indignado com a injustiça da mulher. A sogra era uma pessoa tão boa e, ainda que não fosse, era mãe dela. Ali, nasceu algo que Vivian não podia supor. O marido apaixonou-se de vez pela sogra.

E ela, tão boa mulher que era, magina que ia pensar num disparate daqueles?

Dias depois, um bandido encapuzado pulou o muro do quintal, invadiu a casa pela porta da cozinha, pedia dinheiro, enquanto pegava as coisas pela casa (rádio, celular, tv digital) e enfiava numa mochila. Ela ainda tentou fugir, mas ele a impediu:

─Fica quietinha aí, sua puta! Fica bem quietinha!

Vivian começou a chorar e ele impaciente com aquela morrinha, deu-lhe logo um tiro, depois deu mais dois. Melhor, assim, ela não ficava choramingando no chão.

Nem teve remorso, ele não era homem daquilo. Se tinha que fazer, fazia. E bem feito. Assaltos aconteciam todo dia, ainda mais naquela vizinhança. E, no mais, tinha a vida toda pela frente.

Com a sogra.


Neymar e o país do futebol

ney

O Campeonato Brasileiro de 2013 nasce órfão de um garoto propaganda. As grandes redes de televisão terão que se contentar com os velhinhos (Ronaldinho Gaúcho, Seedorf, Diego Souza, Rogério Ceni, Luis Fabiano, entre outros) ou com jogadores que não tem a empatia televisiva que se espera. Essa empatia faz o atleta ser querido em todos os estados da federação e vender de esponja de lavar louças a veículos super-esportivos.

A confirmação de venda do Neymar para o Barcelona, fato que todos sabiam, mas, não se podiam revelar, me fez pensar em uma questão, no mínimo, frustrante. Somos o país do futebol apenas nas letras dos samba? Oras, se fossemos o país do futebol não perderíamos nossos craques para o argumento de “aqui não dá mais para jogar”. Como assim não dá mais? Nossos gramados são excelentes, temos quase todos os títulos de seleções, nossos clubes têm estruturas e dívidas que fogem da realidade brasileira, nossos estádios vivem cheios de torcedores fanáticos, nosso povo respira futebol.

Vive até nesse final de semana, sem medo de parecer ridículo, pensando que éramos o país do futebol. Nação essa que agora entra para o rol dos seletos países que sediam Copas do Mundo com estádios ultramodernos. Caraca, finalmente conseguiríamos aliar bons jogadores, com clubes estruturados, torcidas nas arquibancadas e estádios com estrutura de primeiro mundo. Mas não, vieram e carregaram o grande craque do momento, o Neymar, para o futebol espanhol, mais precisamente para o Barcelona, e, o pior, com o argumento de que “não dava mais para ele jogar por aqui”.

Comentaristas e torcedores, deixemos de ser hipócritas, nosso país a décadas não merece mais ser chamado o país do
futebol pela estrutura que oferece. E quando uma jovem promessa, pois o Neymar, na minha humilde opinião, ainda é uma jovem promessa, deixa os gramados brasileiros falando da incapacidade do nosso futebol é muito triste. Neymar já tinha salário igual ao dos grandes nomes da Europa, já tinha staff dos grandes astros, parece que só lhe faltava adversários a altura. Pior, temos um futebol de “butinudos” que se engana dizendo ser o país do futebol. Nossa síndrome de “vira-latas” está se transformando na síndrome da “mulher de malandro”, pior estamos nos agredindo no espelho.

Para mim, Neymar ainda precisa se firmar como ídolo dentro de campo atuando em competições com a Seleção Brasileira. Ele não precisa provar que tem futebol, mas sim provar que pode manter o padrão de craques de nível de Seleção Brasileira. Quanto aos nossos comentaristas, dirigentes e torcedores precisam tirar o bandeirão da frente e ver o que acontece no gramado.

Em menos de um mês teremos a Copa das Confederações, teremos o Neymar de volta e muitos outros craques que não tiveram a mesma sorte do “menino da vila”, pois tiveram que ser craques já fora do país. Até lá, a televisão vai manter todos os olhares sobre Neymar e o “garoto de ouro das propagandas”, e nos gramados brasileiros haverá muito dirigente e empresário acendendo velas para que algum jovem salve o campeonato brasileiro do país do futebol. Caso isso não ocorra, que Seedorf e Ronaldinho Gaúcho mantenham-se inspirados.

 


Além da Lenda

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Abre a caixa, debaixo da árvore brilhante e aspira o perfume de surpresa que sai depois que o laço roxo se desfaz. Há uma luz intensa lá dentro e segundos depois de hipnótico olhar, um pequeno ser espia para cima, tão assustado quanto quem o vê. Silêncio no ar suspenso. Ele espirra e solta uma pequena baforada de enxofre. É um filhote ainda. Ela sorri e cai da cama, esbaforida. O sol entra pela janela, devastando tudo com seu calor de bom dia! Algumas roupas emboladas dentro da mochila para ela disparar porta a fora, em busca de seu mágico presente sonhado. Há, no final do arco íris um tesouro pra cada ser, lhe disse uma vez certa mulher velha. Mas muitos acabam tão ocupados a vida inteira que deixam o que quer que seja por lá, completou. Alguns poucos, cheios de ideias, vão buscar. Costumam não voltar. São sonhadores, dizem os vivos mortos, e por lá deveriam ficar. É o que alguns chamam de Eldorado. Onde tudo o que é esplêndido existe. É onde eu gostaria de morar.


Balet do busão

Andar de ônibus é como dançar balet.

Ok, exageros à parte, é quase como dançar balet. Principalmente se estiver lotado. O ônibus, não o balet. E para entender essa relação, mais fácil do que explicar é vivenciar, tomando um ônibus cheio, daqueles em que nem se chega na catraca. Trem ou metrô também serve, mas certos detalhes se perderão, porque é só mesmo no bom e velho busão que vivemos momentos de outra dimensão.

E quando estiver experienciando o momento, atente-se aos detalhes: primeiro a coreografia, com direito a pontas de pé, meias-voltas, braços entendidos e pliês.  Às vezes o cobrador ainda nos orienta com os famosos passinho-pra-trás-pessoal ou ainda sobe-mais-um-faz-favor. Em seguida note como os passos são executados em movimentos cadenciados, sincronizando os corpos no balanço do chacoalho das buraqueiras das avenidas, com as curvas rápidas e fechadas, com as freadas mais fortes. Quem reparar bem vai ouvir pequenos diálogos e dependendo do roteiro do dia, um ou outro faz a intervenção do cuidado-aí-motorista, e quando querem ser mais vívidos soltam a fala proibida do tá-carregando-a-mãe?, grande ápice do espetáculo.

Por último, preste atenção na troca de personagens e também no rodízio de funções, quando quem está sentado levanta, para quem está em pé, sentar, na constante renovação de personagens no pára-levanta-anda, no pára-desce-anda. A mais bela parte do show, para mim, é esta: quando no processo quase que telepático todos entendem que a pessoa X é a unica que pode ocupar o papel que vagou, e as justificativas… bem, os olhares são muito claros e cada justificativa se faz instantaneamente, de acordo com a situação: se está carregando sacolas, se chegou primeiro, se estava em pe na frente do banco… Infinitos são os motivos que nascem ali, no segundo do momento.

Os mais atentos ainda serão capazes de reparar os movimentos daqueles que estão em pé, que de maneira automática, fecham ou abrem passagem para os que, do meio do corredor, gritam o vai-descer. Piora se é uma parada de alto movimento, pois a fila de dançarinos se forma dentro do busão, como uma centopéia interminável, passando por algo que podemos chamar de corredor polonês invertido (neste momento, deixo que a imaginação de vocês, leitores, flua livremente…)

A experiência é incrível, por mais que, na maioria das vezes, os próprios passageiros não concordem com essa afirmação.Para os sociólogos, eu garanto: um prato cheio. E aos frequentadores assíduos dos trasportes coletivos, eu alerto: não tentem disfarçar!, negar ou fingir que não sabem de nada. Você já é parte integrante desse espetáculo.