O último amor da prateleira

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Que o amor é um produto temos aí todos os departamentos de marketing do mundo para nos provar, isto posto, porém, abre-se uma nova questão: dá para consumi-lo com moderação? Não que haja algum risco de superdosagem, mas e se ele não for um bem renovável?

Sim, será que existe alguma certa medida para evitar que a fogueira do amor se apague? Quanta madeira devemos por? E abanar, precisa muito ou pouco? Ficar mais perto vai gastar mais o calor? Não, isso não deve ter nada a ver, embora ficar muito perto inclua riscos inerentes de queimaduras de graus variados.

Tem quem prefira a abordagem biológica ao invés desse papo de fogueira. São aqueles que se referem ao sentimento como a última flor do lácio, uma orquídea rara ou, há que se ter tolerância, como um raro peixe ornamental. Para eles, é o estudo constante e pormenorizado das particularidades e idiossincrasias desse sentimento tão sutil que permitirá que ele ganhe uma pós-vida, por assim dizer.

Veja que mesmos estes contam com uma certa morte do amor. Só que por mecanismos de negação avançados, eles superam isso velando com fervor até que o sentimento retorne ao mundo dos vivos. Tenho dúvidas se nessas o amor realmente ressuscita ou se vem como algo meio morto, meio vivo.  Também gostaria de mais provas dessa teoria, vale até uma foto de um coração espectral, por exemplo.

Essa pseudo-vida seria a troco de quê? Não seria mais bonito tomar até a última gota do que fazer render a história colocando mais gelo? Sim, porque conforme o fim fosse se aproximando e sendo adiado ficaria aquela coisa como refrigerante do McDonald’s – uma bebida aguada, insípida e gelada.

Resta a possibilidade de que não haja morte. Que ele renasça das cinzas. Ou que nunca morra. Ou ainda que se transforme. Ou que seja finito enquanto dure, como previu Vinícius de Moraes. Apesar de tudo, não dá pra negar a beleza da coisa.

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