Protesto

Dia desses vi no jornal uma notícia – mais uma! – que me chocou: pai e filho agridem pastor e atiram em adolescente dentro de uma igreja evangélica por estarem incomodados com o barulho alto. Bom, pensei, amanhã as mídias sociais vão falar só disso e…

Pois eu me enganei. Três da tarde e nenhuma menção ao assunto. Achei estranho e um tanto quanto revoltoso. Será que, com essa onda de pastor com discurso infeliz, as pessoas pegaram birra de evangélico?, pensei, e aí acham que barulho alto agora é motivo pra violência?

Então resolvi botar a boca no trombone, não como evangélica (ah, sim, só pra constar: sou mulher, evangélica, e Marco Feliciano não me representa!) mas como ser humano: publiquei no facebook.

A coisa, vejam vocês, está cada dia pior, porque aquilo que ainda ousamos chamar de sociedade não significa mais o seu próprio significado em latim: associação amistosa com os outros. Nem mesmo a grande vantagem do homem sobre os animais – o poder da comunicação pelo uso de palavras – tem sido eficaz para reestabelecer esse antigo conceito; pelo contrário, ele tem sido destituído gradativamente e causando mais estrago do que o esperado.

Está cada vez mais difícil encontrar pessoas que ainda prezem pelo bem-comum. O próprio umbigo se tornou um lugar sagrado, de onde ninguém sai, ninguém entra e de onde não se enxerga um único passo adiante. Um amigo então me disse: o problema é com o Estado, porque num governo sério isso não acontece! Um Estado que não faz valer suas leis se torna permissivo, liberal demais, blablabla blablabla blablabla

E eu me pergunto: o Estado é culpado? Será mesmo? Porque a partir do momento que é preciso existir uma lei que proíba um ser humano de matar outro, não é o Estado que está com problemas, e sim o próprio ser humano!, que usa de maneira distorcida o seu direito de ir e vir, exteriorizando princípios e conceitos. A questão, meu amigo, é que a formação dessas premissas não é responsabilidade do Estado, mas nossa! É conduta humana, de quando os pais ensinam seus filhos, de quando os funcionários são éticos em suas empresas, de quando o respeito se mantém vivo.

Enquanto acharmos comum que pessoas se estapeiem por liquidações de fim de ano, que filhos desdenhem os pais, enquanto nos preocuparmos mais com o ibope de mulheres de biquini confinadas em uma mansão, não há Estado que esabeleça ordem.

Por esse motivo lanço meu protesto: homens!, mulheres!, levantem suas cabeças, olhem ao redor, percebam-se no início de uma guerra civil, em que se mata e morre pelo que não se precisa, pelo luxo, orgulho e ganância!

Acordem!

Parafraseio Vandré, porque a vida não se resume em dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender. A vida é muito mais, só que ninguém está sendo capaz de ver.

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