Arquivo do mês: maio 2012

O valor pedagógico da (des)ilusão

Que atire a primeira pedra quem nunca se iludiu. Atire duas pedras quem não está, no momento, iludido com algo ou alguém. Fantasiar é do ser humano e, talvez por isso, não haja experiência mais enriquecedora em fórum íntimo do que uma boa e dolorosa ilusão. Ou desilusão, que é quando a ilusão é arrebatada pelo discernimento.
Se me permitem os fiéis leitores, faço uma adaptação do devaneio de Descartes: se me iludo, existo.
Perpassemos o campo amoroso, fértil no centeio de ilusões, por um breve instante. O amor nos conecta e, paradoxalmente, nos isola. Ninguém parece capaz de compreender a intensidade do que sentimos. Por vezes, nem mesmo o objeto de nosso amor. A razão e a força do amor são outras que transcendem em mistérios. Os cientistas mapeiam o cérebro para dizer o por quê amamos e como amamos. A psicologia oferece suas interpretações remotas e peculiares e os que amam simplesmente amam porque amar prescinde de qualquer justificativa racional. Como ouso racionalizar a ilusão, algo essencialmente irracional, intangível, desarmônico?
Se a retórica se faz necessária é porque não me faço entender. São pelas ilusões que desejamos, que aspiramos, que transcendemos. Que seja! Até contemplamos o ideal de felicidade! Não se nega a felicidade ou quaisquer outras sensações que a norteie, mas se expressa o contento proporcionado por uma doce ilusão enquanto seu sugo não se revela amargo.
Mas as ilusões, essas artimanhas perenes que unem destino e livre-arbítrio, não estão circunscritas às coisas do amor. Pode-se se iludir em qualquer área e momento da vida. O doente terminal pode optar pela ilusão (seja a de que vai se curar ou encontrar os parentes no além-vida) do que a crua e fria verdade que se aproxima dele. Alguns podem argumentar que se trata de fé e outros argumentarão de que se trata de uma fantasia. Uma “guerra civil semântica” será, então, instalada.
Como toda guerra civil real a história será contada pelo lado vencedor. A questão que se coloca é que a existência da fé não desaglutina o “espectro” de ilusão e a existência desta não desabona a força da fé.
Mas a ilusão alarga nosso autoconhecimento. Iludir-se é algo positivo sob a perspectiva de que nos favorece, no longo prazo, crescimento emocional, equilíbrio e autocrítica. Isso, claro, desde que nos disponhamos à análise.


Minhas férias

Desde que voltei às salas de aula, criei o hábito de escolher livros para as férias. Coisas divertidas, leves e interessantes que eu não tenho tempo de conferir normalmente. Ano passado, fiquei entre um romance super fofo (Um dia, de David Nicholls, que virou filme com a Anne Hathaway) e a biografia da Cleópatra (Cleópatra: Uma Biografia, de Stacy Schiff). Pois esse ano, escolhi de novo, mas deu tudo errado.

Coloquei na ideia que iria ler o terceiro e o quarto exemplares de “Guerra dos Tronos”, série de ficção histórica com pegada de literatura fantástica do americano George Martin. O único problema é que cada livrão pesa meia tonelada e eu corria sério risco de ser multada por excesso de bagagem no aeroporto.

Restou colocar na bolsa um pocket, da L&PM, “A dama do lago”, do Raymond Chandler, junto com R$ 10 em chiclete pra prevenir uma possível dor de cabeça no voo. Na trama de um dos mestres do policial, na década de 40 uma mulher desaparece e o marido contrata o detetive Marlowe para encontrá-la. Como deve ter sido Chandler quem criou boa parte das cenas que se tornariam dos clichês dos romances noir, o texto continua divertido. O tal do detetive metido a engraçadinho convence e há reviravoltas suficientes para que só o tal sabidão desvende o crime.

Mas o melhor achado foi fruto do acaso. Estava fazendo um artigo sobre a revolução iraniana para a pós e resolvi checar num sebo do Recife se havia o “Persépolis”, da Marjane Satapri – a indicação tinha sido feita pelo professor na aula como uma forma proveitosa de tomar contato com o Irã, tão na pauta dos noticiários. Como eu havia acabado de ver “A separação”, dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi, estava bem no clima de querer conhecer mais do país.

O livro conta do ponto de vista pessoal e bem humorado da autora, hoje morando na França, como foi a revolução popular que levou à tomada do poder pelos aiatolás por meio dos quadrinhos. Ela se revela uma criança que sonhava em ser a última profeta, descendente da monarquia derrubada por Rezah Khan, filha de comunistas, que sai do país para fugir da ditadura, volta para reencontrar a si mesma e passa o resto da vida tentando combinar a Satrapi iraniana com a estrangeira. A gente aprende história ao mesmo tempo em que ri e se emociona. O livro é dividido em quatro volumes, mas dá pra comprar a versão completa por R$ 35, como fiz em Recife.

Nas férias, leia, leia muito, leia só o que você quiser. Coisas que o dia a dia te impede de ir atrás. Mesmo que o prazo do seu trabalho já tenha acabado e você não possa incluir seus novos conhecimentos nele. Ah, sim, recomeço hoje a “Guerra dos Tronos” – mas não pensem que contarei os detalhes, considero que fazer spoilers (contar detalhes inéditos) é das coisas mais desagradáveis da internet.


O dia que faremos contato – 1

Pensei em escrever algo que penso há muito tempo, escrever sobre ETs. Não pretendo fazer a defesa da existência deles, tenho um colega de faculdade que consegue fazer, há anos, isso por nós dois. Pretendo refletir, debater, confabular, analisar e expressar a minha opinião de como será o dia em que a raça humana fará contato com uma raça que julga não habitar nossa nave mãe.

Milhares de pessoas ao redor do mundo já tiveram contato com seres que julgam de outro planeta. Sob o olhar de dúvida de outras milhares, esses seres que viram seres serviram de cobaias para testes. Essa é a teoria e a suposição de alguns estudiosos do assunto. Mas, no dia em que faremos contato, mesmo que conheçam nosso planeta melhor que nós, teremos uma longa conversa com os ETs.

Primeiro, como bons amigos, vamos mostrar nossa casa para eles. Falaremos, e iremos ao local para apresentar em suas naves supervelozes, das muitas maravilhas criadas pela natureza. Depois apresentaremos a maravilhas construídas pelos homens. Modestamente, mostraremos os avanços tecnológicos que desenvolvemos desde a descoberta da roda. Passaremos pela teoria evolucionista de Darwin. Ficaremos de nariz empinado ao falar da genialidade e a descoberta de Einstein sobre a teoria da relatividade. Nesse momento, tenho certeza, estaremos em pé de igualdade com eles. Mostraremos avanços na medicina, na biologia, na matemática, na física, na química e na educação física. Sim, a educação física será um grande trunfo, pois o que se sabe dos ETs é de que são magrelos e sem “popozudas”. Eles ficarão estupefatos com nossos avanços nessa área.

Depois, como bons amigos, vamos querer saber da sociedade em outro planeta. Ficaremos pouco impressionados com os avanços tecnológicos, pois eles já voam pelas galáxias há milhares de anos. Na medicina eles revelarão a descoberta de milhares de doenças após suas pesquisas no Planeta Terra. Na biologia estarão atrasados. Ponto para nós! Eles dirão que não tem interesse em clonar ninguém. A matemática, a física e a química avançaram junto com a viagem interplanetária. Voltaremos a nos sentir apenas seres humanos.

Depois de horas de conversa, haverá uma pergunta que vai mudar o rumo da humanidade. Eles nos perguntarão: por que vocês vivem em divisão de classes? De países? De povos? De raças? Não saberemos explicar. Eles mostrarão que no seu Planeta não há divisão. Não há líder planetário. Não há pobres. Sim, todos os ETs são ricos! Ou pobres! Sim, todos são do mesmo país! E o melhor, eles dirão, são apenas ETs.

Sinto informar, mas nem todos os terráqueos participarão desse encontro. Então, nossos líderes, representantes, cientistas não conhecerão o planeta dos ETs. Chegaremos a conclusão que os visitantes galácticos querem mesmo é destruir a sociedade organizada e comportada que construímos a milhares de anos.

Pensar em ter uma sociedade assim vai gerar muitas dúvidas. Oras, por que vamos deixar de ter medo de morrer? De ficar pobre? De não ter um líder que nos represente? De ter um ídolo do esporte, da moda, da música? Por que vamos deixar de ter empregados? Por que vamos deixar de ter diferença? Sim, eles querem nos destruir!

No dia em que faremos o primeiro contato será uma quinta-feira. O encontro será no Brasil. Numa cidade beira mar. Não será feriado. Nem véspera de Carnaval. O encontro vai ser sério mesmo! Depois de uma carta de intenções assinada pelos participantes, deixarão um segundo encontro marcado. A pauta, conto a vocês outro dia!


Desaguando

As nuvens em cima da cabeça dela ficaram muito negras, conforme a tarde ia caindo. De repente, eram raios e trovões para todos os lados, saindo de sua boca. Estava tal qual uma grande cumulonimbus, pronta a desabar. E pela madrugada a dentro, choveu e choveu pelos olhos. Encharcou o rosto, deixando-se com cara de campo revolvido. E, até que o sol atreveu-se a brilhar no alto, ela não parou de chover. Era muita tormenta para uma mulher tão pequena. Mas, quando a manhã bateu na janela, de leve, ela revirou-se na cama, já mais sensata. A nuvem agora, não passava de uma tímida cirrus. Sorriso, ainda não existia. Era pedir demais, afinal a colheita, a boa colheita, é demorada. Mas o plantio, apesar de turbulento, foi vasto. A mulher, que emergiu da menina, começou o dia arejando a casa. Enquanto isso, do seu coração, brotava muito verde uma folhinha de vida nova. Acho que era um pé de rosas.

Marina Costa


Fala que eu te escuto…

Tá bom, acho que já está na hora de um post com conteúdo de auto ajuda, daqueles que serve pra todo mundo, mas que sempre serve mais pra um aqui, pra outro ali, que encaixa com aquele dali, e assim vai.

E digo que está na hora, não porque esse seja o momento de revelar minha tendência, porque, de fato, não é minha tendência. E também não se trata de lição de moral encomendada, não. Muito menos desabafo.

É que já tem um tempo estou sentido que o povo está mesmo precisando disso. Quem é que não gosta de ter alguém que o acalante, que o abrace e conforte em um momento ruim? Muitas vezes, as pessoas nem percebem, mas procuram por algo que as façam se sentir melhor. Uns comem, outros dorme, outros gastam, outros choram…

Então aqui estou, de braços abertos, papel e caneta na mão, pronta para fazer o papel do tiozinho da tevê que diz “meu irmão, fala!, que eu te escuto…”. E não pensem vocês que me sinto mal nessa posição, pelo contrário: é quase como que ser um funcionário público, de verdade, do tipo que presta serviços à população de acordo com a real necessidade dela, sem ficar enfiando goela abaixo algo do qual nem se precisa.

Quando chove e tem enchente, por exemplo, o povo precisa ter para quem reclamar, não é? Aí o que fazem? Chamam os jornais sensacionalistas – que já fazem seu próprio drama à parte – e desabafam, pois é isso que querem naquele momento, dizer o quão a sua vida está ruim, pior agora que perdeu casa, cama, fogão geladeira e cinco quilos de arroz novinho.

Em dia de acidente, o congestionamento nas marginais e nas vias principais é de dar dó. Mais uma vez, lá estão as mídias para fazerem a sua parte em espalhar a situação de caos de miilhões de pessoas, que sofrem com o trânsito, com a poluição e até com assaltos enquanto estão imóveis no mar estático de carros. A gente escuta reclamação aos quatro cantos, quem xingue Deus e o mundo, a mãe de um vira alvo, o inferno vira próxima parada e ninguém se entende. Tipo Torre de Babel, sabe?

Se tiver greve, aí é a coisa fica feia mesmo, porque a voz do povo vira a ação do povo e infelizmente tem gente que acaba perdendo as estribeiras e desce o cacete. Estação de metrô destruída, ônibus incendiados, pessoas machucadas, embates com a polícia que só resultam em mais problemas: gente presa, machucada e às vezes até sem emprego.

Acho que a Secretaria de Saúde pública deveria é distribuir em pontos estratégicos da cidade algum tipo de posto de atendimento psicológico, em que aquele que estivesse estressado por alguma coisa pudesse desabafar ali e ter uma orientação básica e eficaz. É mais ou menos como implantar uma ligação direta nos orelhões para aquele tiozinho da tevê – o que também não seria má ideia.

Já cansamos de circo, até porque a Virada Cultural acontece só uma vez por ano e não dá conta de extravasar o que passamos todos os dias. Precisamos de algo ali, na lata, a qualquer hora, pra não deixar o copo transbordar e afogar a razão. Quem sabe desses momentos de desabafo ainda não se colha uma ideia boa para melhorar a cidade?

Aqui fica, então, meu apelo: Sr Prefeito! Sr Governador! Mandem os alunos de psicologia fazer estágio com o tio Edir! Mas, por favor, lembrem-se de não inserir na grade curricular os quesitos “Honestidade” e “Respeito”, porque para esses precisaremos de um profissional capacitado para ministrar as aulas.


Tive aulas de religião com um professor ateu

Marina Costa, a minha Clarice particular, sugere que falemos sobre religião. Hoje em dia, nada mais fácil. Começa que religião, Igreja e Deus vão logo arrolados no mesmo balaio. E há algumas instituições, como a Igreja, que não possuem direito de resposta. Vê lá se alguém, hoje em dia, é capaz de escrever um artigo defendendo a Globo, ou os Estados Unidos. Quem fizer isso ganha automaticamente um atestado de burrice. Imaginem um artigo defendendo o Sarney. Não sai. Ninguém escreve. É paulada certa. E o mesmo acontece com a Igreja. Se o Capital Inicial puxar um “Que país é este?” contra a Igreja, todo mundo vai cantar.  Por isso, nada mais fácil hoje do que escrever sobre religião.

Tive formação católica, e só me faltou ser coroinha. Fiz comunhão e crisma. E, depois, também fui um católico não-praticante – embora praticasse mais que muita gente. Um dia, fui arrastado por um rabo de saia para uma igreja evangélica. Fui lá por causa dela. Pois o rabo de saia não quis saber mais de mim. Eu podia sair da igreja, mas fiquei. Hoje eu sou evangélico – e se eu dissesse que tenho lepra, espantaria menos as pessoas.

Na faculdade de jornalismo, tive aulas de religião com um professor ateu. Na verdade, eram aulas de pesquisa científica. Mas não havia um dia que não discutíssemos religião – na visão do professor, inconcebível com a ciência. Ele nos doutrinava nas sagradas escrituras de Carl Sagan e Richard Dawkins. Lembro ainda do seu pasmo quando perguntou quantos acreditavam em Darwin. Muitas mãos ficaram abaixadas. Esse foi o mesmo professor que falou que eu não era jornalista pra trabalhar nos jornais provincianos do Paraná – sugeriu-me o Washington Post. Ele se decepcionaria ao me ver evangélico.

Mas esse professor foi particularmente importante porque destruiu a minha crença no relativismo cultural. Posso vê-lo esbravejando contra essa história de que não há verdade absoluta. Tínhamos dois braços, uma cabeça, e estávamos sentados numa mesa de madeira – isso era uma verdade absoluta. Ele alfinetava especialmente os antropólogos, para quem não era importante saber amarrar um cadarço, desde que a pessoa se sentisse bem.

Ora, esse discurso contra o relativismo também é o das igrejas. O próprio Papa vive pregando isso. O relativista é uma pessoa que consegue se abstrair do mundo e permitir que todos os outros exerçam livremente o direito de não serem relativistas. Tanto a fé como a ciência sofrem com o relativismo, e por isso a proximidade com os ateus. Eu e meu professor estamos em lado opostos quanto às nossas crenças: eu acredito e ele não. Nenhum de nós, no entanto, acha que Jesus Cristo foi um cara bacana com algumas ideias interessantes. Ora, Jesus dizia ser o filho de Deus. Ou é um maluco ou fala a verdade.

Eu poderia falar mais coisas, mas só conseguiria através de parábolas. Elas obrigam o ouvinte a pensar sobre o que está sendo dito, ou simplesmente ignorar. Os que buscam um sentido, chegam por si só às conclusões que sequer seriam consideradas se fossem ditas abertamente. Estamos com o coração duro e ainda precisamos das parábolas.

Henrique Fendrich


Full House

Acabou nesta semana, gerando grande comoção midiática, uma das melhores e mais emblemáticas séries de tv dos últimos anos. A despedida de “House” no Brasil, no entanto, só acontecerá em 21 de junho – quando o último episódio da oitava e derradeira temporada será exibido na tv paga brasileira.
Falar das qualidades de “House” não é bem o intuito desse texto. Série médica que prima pelo ar detetivesco intrínseco à personalidade de seu protagonista, o rabugento doutor Gregory House, o show rendeu merecidas comparações com Sherlock Holmes. Também é desnecessário afirmar que muito do sucesso da série se deve a seu protagonista, e nosso foco, Hugh Laurie.
Esse inglês de 53 anos não é especialmente bonito. Com formação no humor britânico e tipo franzino, trabalhou seu charme – hoje uma apoteose – no curso de sua exposição na tv americana – aonde chegou a receber um dos mais vistosos salários (cerca de U$ 400 mil por episódio).
Hugh Laurie é um poliglota artístico. Além de ator refinado, capaz de demonstrar tato e segurança tanto no drama como na comédia, é um músico em formação e um escritor bem calibrado.
Seu disco de estreia (“Let them talk”), lançado em 2011, é composto por regravações de clássicos do Blues e revela um Laurie vigoroso. Além de suavidade e firmeza nos vocais, Laurie toca piano e guitarra. O disco se revela um exercício de paixão e liberdade através da música. Já a versão literária de Laurie, ainda que não provoque o mesmo entusiasmo, cresce de tamanho no contexto geral.
Seu primeiro livro, um policial genérico, mas bem conduzido, foi lançado em 2010 no mercado brasileiro na esteira do sucesso da série. “O vendedor de armas”, no entanto, não será um fato isolado na veia literária de Laurie. Um segundo livro está a caminho.
Hugh Laurie quer voltar para Londres. Andou dizendo que flertou com a depressão e que esses impulsos artísticos ajudaram em sua reabilitação. A arte como viés terapêutico não é uma novidade. Novo, talvez seja, obter sucesso e reconhecimento por ela. Hugh Laurie não é Galileu, nem Leonardo Da Vinci. Nem ambiciona a imortalidade científica conquistada por esses cânones pouco valorizados em suas épocas. Hugh Laurie só quer voltar para Londres e deixar a vanguarda que materializa para a posteridade.