Catando Coquinhos

Catando coquinhos.
 

Na  verdade os coquinhos não passam de nozes de macadamia, originárias da Austrália, mas quando os encontrei sendo vendidos na rua achei-os tão bonitinhos que decidi comprar. Antes, experimentei um e gostei. De macadâmia eu só conhecia sorvetes e bombons sempre deliciosos.

Os tais coquinhos são vendidos tendo por medida o litro, no caso uma lata vazia de óleo de cozinha, como eram vendidas as jabuticabas antigamente. Acho até que foi por isso que os comprei – pela nostálgica lembrança.
 
Os vendedores carregam as nozes em um carrinho de mão e junto uma pedra bem sólida onde as colocam para firmar. Depois pegam um martelo e dão uma martelada bem forte em cada noz e as distribuem as pessoas na rua, até aos desdentados, o que é uma crueldade.
 
Perguntei-lhe como eu iria fazer em casa para abrir a noz e ele respondeu: Pegue uma bacia um martelo e sente-se na calçada com seu marido e peça a ele para ir quebrando para você. Não tendo marido nem braço forte e nem pedra solida, nem calçada  sentável, seria uma temeridade comprar, mas arrisquei. Se não conseguir, deixo-as enfeitando uma fruteira qualquer, pensei.
 
Colocados dentro de um saco plástico fui fazer o que tinha que fazer, carregando-os. E volta e meia um e outros despencavam pela borda do saco indo ao chão: e lá ia eu catar coquinhos, equilibrando minha bolsa, minha pasta executiva e o resto dos coquinhos.

Acho que fiz uma boa compra porque segundo informações seríssimas da Folha de São Paulo, elas retardam o envelhecimento, protegem o sistema cardiovascular além de reduzir os níveis de colesterol no sangue. Já é produzida no Brasil, sétimo produtor mundial desde a Bahia e estende seus galhos até o Uruguai. Chegou por aqui vinda da Califórnia. Não dá muito trabalho para colher porque os frutos caem sozinhos da árvore, o que torna uma chuva de macadâmia muito perigosa. Apesar de que a árvore é linda e enfeita com classe e elegância qualquer bom quintal – O grande problema é que demora demais para produzir, mas depois que começa não para mais. São conhecidos espécimes com mais de um século de idade e ainda em alta produtividade.
 
Mas catar coquinhos mesmo acabei catando foi em casa: peguei o martelo, uma mão cheia de coquinhos e fui para o quintal. Resolvi firmá-los na escada de cimento que liga as duas partes do quintal e não deu outra: a cada martelada um coquinho voava longe. Depois de catá-los todos, resolvi devolver para a fruteira e esperar um braço forte aparecer para eu tomar a minha poção mágica contra o envelhecimento

Um comentário em “Catando Coquinhos

  1. Mas aposto que, se procurar bem, vai ter uma matéria falando que coquinho em excesso causa algum tipo de problema. Sempre temos as matérias feitas para os dois lados haha.

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